Agibank Apresenta Resultados no Wall Street e Projeta Crescimento para 2026
O Agibank apresentou seu desempenho no quarto trimestre de 2025 (4T25) em Wall Street, revelando um cenário com nuances. Os números, divulgados na última segunda-feira (23), confirmaram o crescimento em lucro, carteira de crédito e base de clientes, mas também evidenciaram desafios que pressionaram a rentabilidade.
A empresa, que realizou seu IPO em janeiro, registrou lucro líquido de R$ 214,9 milhões, um avanço de 9,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O lucro acumulado no ano atingiu R$ 1,046 bilhão, com um crescimento de 32% em comparação com 2024. No entanto, a rentabilidade, medida pelo Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), recuou para 35,8% no trimestre, bem abaixo dos 44,4% registrados um ano antes.
Essa redução na rentabilidade foi influenciada por fatores como a suspensão temporária nas originações de empréstimos consignados do INSS, que representam o principal motor de expansão do Agi.
“Freio de Mão” no 4T25: A Suspensão do INSS
A suspensão das originações de empréstimos consignados do INSS em dezembro de 2025 atuou como um “freio de mão” inesperado para o banco. Essa medida impactou significativamente o desempenho do Agi, pois o consignado do INSS é o principal motor de expansão do banco.
As originações de crédito caíram 28% na comparação anual, reduzindo o ritmo de crescimento da carteira e afetando outras frentes do negócio.
Menos Crédito, Menos Vendas Cruzadas
Com a redução na concessão de crédito, o banco perdeu tração na venda cruzada (cross-sell) de produtos como seguros e crédito pessoal, além de enfrentar pressão adicional nas receitas de tarifas. Analistas do BTG Pactual destacaram que os números apresentaram um caráter “fraco”, e que os resultados do 4T25 e 1T26 seriam temporariamente desafiadores, devido à disrupção no segmento core do Agi, o INSS.
Normalização e Retorno à Velocidade de Cruzeiro
A normalização veio em 12 de janeiro de 2026, após um acordo com o governo. O banco começou o ano em ritmo mais lento, mas a originação “já retornou à velocidade de cruzeiro”, o que sustenta a expectativa de aceleração ao longo de 2026. O Citi e o BTG Pactual compartilham uma visão semelhante, com o Citi considerando o trimestre “decente”, embora o banco ainda esteja recuperando o ritmo.
Crescimento com Mais Pressão no Risco
Apesar do “freio de mão” no INSS, a carteira de crédito do Agibank cresceu expressivamente, atingindo R$ 34,8 bilhões, com uma expansão de 43,9% em 12 meses. A estratégia do banco continua focada em crédito com garantia, que agora representa 86% do portfólio, mantendo o perfil conservador da operação.
A base de clientes também seguiu em forte crescimento, encerrou dezembro com 6,7 milhões de usuários, um salto de 73% na comparação anual.
Inadimplência e Provisionamento
Ainda assim, houve sinais de pressão, como o aumento da inadimplência acima de 90 dias para 3,7%, influenciada por mudanças no mix da carteira e pelo avanço do consignado privado. As provisões acompanharam essa dinâmica, avançando 23% e 51% em um trimestre e em um ano, respectivamente, refletindo ajustes nos modelos de crédito e o comportamento mais pressionado das novas carteiras.
O BTG avaliou que o consignado privado carrega inerentemente inadimplências mais altas do que o consignado INSS, e que a mudança no mix contribuiu para o aumento.
A Aposta na “Silver Economy”
Apesar do trimestre mais ruidoso, a visão de longo prazo dos analistas sobre o Agibank permanece praticamente intacta. A tese está ancorada em um mercado específico: o crédito para aposentados e pensionistas. Hoje, o banco se posiciona como um dos principais players nesse segmento, que reúne mais de 42 milhões de brasileiros.
O CEO do Agi, Marciano Testa, afirmou que o foco para 2026 continuará em clientes “deixados de lado” pelo sistema bancário tradicional – usuários em que as fintechs e bancos digitais têm dificuldade em atender de forma mais eficaz.
Recomendação de Compra
Mesmo com a volatilidade recente, os analistas do BTG Pactual e Citi reiteraram a recomendação de compra para as ações do Agibank. Desde o IPO, as ações acumulam queda de cerca de 26,5% – movimento que, na visão dos analistas, abriu uma janela de oportunidade.
Após a desvalorização recente, as ações negociam a múltiplos de 6,2 vezes o lucro esperado para 2026. Para os analistas, esse patamar indica um valuation “muito atrativo” para o Agibank.
