Quem já passou pela experiência de tentar embarcar em um voo internacional com muita bagagem, sabe da situação: ou se paga uma taxa exorbitante ou começa a desenterrar itens desnecessários da mala no saguão do aeroporto. Essa foi uma cena que se repetiu recentemente no balcão de check-in da Nyse, a bolsa de valores de Nova York, durante a tentativa de IPO do Agibank.
A oferta inicial, que visava captar US$ 828 milhões, foi concluída por apenas US$ 240 milhões, conforme informações da Bloomberg – uma redução significativa, menos da metade do valor previsto. A situação se agravou antes da operação, com a faixa indicativa de preço da ação, que inicialmente variava entre US$ 15 e US$ 18, sendo reduzida para um intervalo entre US$ 12 e US$ 13, e finalmente sendo lançada no preço de US$ 12.
A redução na quantidade de bagagem permitida também impactou o processo. A agência relata que a mala do PicPay, que estava com excesso de itens, precisou ser reduzida, enquanto o Agibank tentava se posicionar no mercado de valores.
As ações do Agibank apresentaram queda de cerca de 20% desde o IPO, em um cenário de turbulência no mercado de tecnologia, com empresas de software perdendo valor devido ao temor do impacto da inteligência artificial. O IPO do PicPay, o primeiro de uma empresa brasileira nos EUA em quatro anos, levantou US$ 434 milhões.
Analistas questionavam se o modelo de negócio do Agibank, que se apresenta como um banco digital, combinava com sua forte atuação no mercado de crédito consignado, ocupando 9% da participação no INSS. O fundador, Marciano Testa, mantém o plano de crescimento ambicioso: atingir R$ 100 bilhões em carteira de crédito até 2030 e ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão em lucro líquido em 2025.
