Alerta sobre a Bolha no Crédito Privado
Jamie Dimon, CEO do JP Morgan, em um alerta recente, comparou a situação atual ao mercado financeiro com o que chama de “baratas”. A analogia surgiu em um momento de crescente preocupação com a saúde do crédito privado nos Estados Unidos. O temor é que uma bolha, alimentada por investimentos bilionários em inteligência artificial e valuations inflacionadas em grandes empresas de tecnologia, possa levar a uma crise sistêmica.
A questão central reside na fragilidade do setor de crédito privado, que opera em grande parte fora do escrutínio regulatório direto.
O sinal de alerta veio com a queda das ações da Blue Owl Capital, uma gestora que vendeu US$ 1,4 bilhão em ativos de empréstimos. A principal razão para essa venda foi o encerramento de opções de resgate trimestrais, o que reacendeu o debate sobre o estresse que se acumula em um dos segmentos de maior crescimento da Wall Street.
Essa movimentação se junta a outros eventos recentes, como o colapso da First Brands Group e a perda de US$ 170 milhões do JP Morgan com o caso da Tricolor.
A preocupação com o crédito privado se intensificou devido à mudança de foco da indústria. Nos últimos anos, muitos fundos de crédito investiram em empresas de software, em parte devido à expectativa de que a inteligência artificial disruptaria os modelos tradicionais de software corporativo.
No entanto, especialistas alertam que essa migração, combinada com o aumento da alavancagem e a falta de transparência, pode criar uma vulnerabilidade significativa no sistema financeiro.
Análise de Especialistas
Michael Shum, CEO da Cascade Debt, ressaltou o problema dos compromissos plurianuais dos fundos de crédito, que não se alinham com os resgates trimestrais, o que pode levar a uma “corrida para o fundo” em momentos de crise. O UBS Group também emitiu um alerta, prevendo que as taxas de inadimplência no crédito privado dos EUA poderiam subir para 13%, acima das projeções atuais.
Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s Analytics, classificou os sinais como “sinais amarelos”, indicando que, embora a indústria de crédito privado possa absorver algumas perdas, o crescimento contínuo do crédito pode exaurir sua capacidade de absorção a longo prazo.
Previsões de Especialistas Internacionais
Daniel Goldberg, CIO da Lumina Capital, já havia alertado sobre os problemas no crédito privado dos EUA, e em um painel do Fórum de Investimentos da Bradesco Asset, em novembro do ano passado, ele apontou que a indústria de crédito high-yield migrou em peso para empresas de software, uma vez que boa parte desses serviços poderia ser disruptada pela inteligência artificial.
Goldberg ressaltou que a indústria de crédito inteira migrou para software. Se olharmos a média histórica dos últimos 30 anos, em torno de 2% a 6% do mercado de high-yield é absorvido por essa indústria. Hoje, esse número está em torno de 10%.
Ou seja, uma em cada dez operações globais desse tipo está concentrada em software.
Para conferir tudo o que Goldberg previu na ocasião e que dá sinais de estouro de bolha agora, [Link para artigo original].
Conclusão
A situação do crédito privado nos EUA levanta sérias preocupações sobre a estabilidade do sistema financeiro. A combinação de investimentos em IA, valuations inflacionadas e a falta de transparência no setor de crédito privado pode criar uma crise sistêmica, como alertou Jamie Dimon, comparando a situação com o que ele chama de “baratas”.
