Alliança Saúde Enfrenta Pressão e Rebaixamento de Rating
Os últimos dias foram particularmente desafiadores para a Alliança Saúde (AALR3), antiga Alliar, e a reestruturação da empresa tem sido acompanhada com crescente cautela pelo mercado. Em um curto espaço de tempo, a companhia passou por mudanças significativas no conselho de administração, intensificou as tensões com seus credores e sofreu novos rebaixamentos de rating, colocando-a a um passo do nível de calote.
Para o investidor, o cenário atual é de aperto, com as ações AALR3 acumulando uma queda superior a 30% desde o início de março e mais de 70% na B3 em 12 meses.
Nova Composição do Conselho e Ações da Gestão
A recente dança das cadeiras no conselho da Alliança Saúde (AALR3) começou com uma grande reformulação no topo da governança. Após a reestruturação, a empresa passou por uma série de mudanças, com nomes relevantes ligados ao investidor deixando suas posições como conselheiros, incluindo o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e Pedro de Moraes Borba.
Com essas renúncias, José Luiz Mendes Ramos Júnior assumiu a presidência do conselho, acumulando a função de chairman junto às diretorias Jurídica, de Compliance e de Relações com Investidores. Ricardo de Magalhães Sartim também assume um duplo papel, atuando como conselheiro e, simultaneamente, como CEO e diretor financeiro (CFO) interino.
Análise da Fitch Ratings e Riscos Financeiros
A Fitch Ratings decidiu rebaixar o rating nacional de longo prazo da Alliança Saúde (AALR3) nesta segunda-feira, de ‘CCC+(bra)’ para ‘C(bra)’ – apenas um degrau acima da inadimplência restrita (RD), nível de calote. Esse foi o segundo corte em poucos dias.
Para os analistas, a nota de crédito atual da empresa reflete um “risco de crédito excepcionalmente alto em comparação com o dos pares”. O principal gatilho para o rebaixamento foi a falta de clareza sobre a situação financeira da empresa. A Fitch avalia que a capacidade da Alliança de honrar o pagamento de suas obrigações financeiras está comprometida e a medida cautelar é vista como o “início de um processo semelhante a inadimplência restrita”.
A agência também aponta incertezas adicionais, como a falta de clareza sobre R$ 532 milhões em mútuos registrados no balanço, que podem se transformar em passivos adicionais.
Conflito com a Siemens e Medidas Protetivas
A decisão da Alliança Saúde de recorrer à Justiça não foi um evento isolado. Segundo a empresa, o estopim foi a escalada de tensões com a Siemens, um de seus principais credores. O conflito se intensificou quando a gigante alemã reteve mais de R$ 10 milhões das contas da companhia e ameaçou declarar o vencimento antecipado de dívidas por conta das mudanças no controle societário.
A situação, segundo a empresa, comprometeu diretamente seu fôlego financeiro, com a postura da Siemens “travando todo o fluxo financeiro” do grupo. Além disso, o risco não era isolado. Segundo a Alliança, a chance de credores começarem a cobrar vencimento antecipado de contratos financeiros, que somam R$ 1,1 bilhão, cresceu.
Outros credores também se movimentavam, como o Itaú Unibanco (ITUB4), que tentava bloquear cerca de R$ 4 milhões. Nesse contexto, a liminar obtida pela companhia passou a funcionar como um verdadeiro “balão de oxigênio”, permitindo uma pausa nas ações dos credores.
