Anatel retira 30 mil orelhões do Brasil, marcando o fim de uma era histórica

Anatel retira orelhões de todo o Brasil! A decisão encerra era dourada da telefonia fixa, que marcou época e cultura popular. 30 mil orelhões serão removidos.

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(Imagem de reprodução da internet).

Por décadas, foram um elemento constante da paisagem urbana: na esquina, na praça, em frente ao bar ou ao lado do ponto de ônibus. Agora, estão deixando de existir, encerrando um capítulo importante da história da telefonia no Brasil. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) oficializou a retirada dos últimos orelhões do país.

Cronograma da Anatel

A medida faz parte do cronograma oficial da Anatel. Com a popularização dos celulares, aplicativos de mensagens e chamadas via internet, os telefones públicos perderam sua utilidade, manutenção e viabilidade econômica. A decisão representa o fim de uma era para a telefonia fixa.

A História do Orelhão

A história do orelhão remonta a 1971, quando foi criado. Inicialmente conhecido como “De repente – notaram? – a rua melhorou”, em São Paulo, devido ao impacto do telefone na região, o orelhão ganhou diversos apelidos, como tulipa e capacete de astronauta.

Seu nome técnico na Companhia Telefônica Brasileira (CTB) era Chu II, em homenagem à sua criadora, Chu Ming Silveira.

Chu Ming Silveira e o Chu II

Chu Ming Silveira, na época chefe do Departamento de Projetos da CTB, foi responsável por desenvolver um protetor para telefones públicos que combinasse funcionalidade e estética. A estreia para o público ocorreu em janeiro de 1972, com instalações em diversas cidades, incluindo o dia 20 no , e o dia 25 em .

O Orelhão como Instrumento Narrativo

Antes da geolocalização, do armazenamento de chamadas na nuvem e das notificações em tempo real, o orelhão oferecia algo raro: a possibilidade de uma ligação sem rastros pessoais imediatos. Tornou-se presença constante no imaginário popular. Cada chamada era um risco calculado; cada ficha, um elemento de tensão.

O Orelhão em Filmes

O orelhão aparece como parte do imaginário da espionagem clássica. Em “O Agente Secreto”, filme dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, o telefone público aparece como parte do imaginário da espionagem clássica — um mundo de códigos, encontros rápidos e ligações curtas, feitas longe de casa.

O orelhão não era apenas cenário: era instrumento narrativo.

A Decisão da Anatel e o Futuro

A decisão da Anatel ocorre com o fim das concessões do serviço de telefonia fixa das responsáveis pelos aparelhos. Com isso, Oi, Algar, Claro, Sercomtel e deixam de ser obrigadas a manter telefones fixos e orelhões nas vias públicas. A estimativa é que cerca de 30 mil orelhões sejam removidos ao longo deste ano, principalmente em áreas centrais, corredores comerciais e avenidas de grande circulação.

Apesar da retirada, a Anatel avalia que o serviço ainda pode ser necessário em pontos específicos do país, como regiões rurais, áreas isoladas e comunidades indígenas. Além disso, as operadoras deverão direcionar investimentos para redes de banda larga ou serviços móveis.

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