Por décadas, foram um elemento constante da paisagem urbana: na esquina, na praça, em frente ao bar ou ao lado do ponto de ônibus. Agora, estão deixando de existir, encerrando um capítulo importante da história da telefonia no Brasil. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) oficializou a retirada dos últimos orelhões ainda presentes em todo o país.
A História do Orelhão “De repente – notaram? – a rua melhorou em São Paulo…
Carlos Drummond de Andrade registrou o surgimento do orelhão no Brasil em sua crônica “Amenidades da Rua”. Criado em 1971, o orelhão recebeu diversos apelidos, como tulipa e capacete de astronauta, mas seu nome técnico na Companhia Telefônica Brasileira (CTB) era Chu II, em homenagem à sua criadora, Chu Ming Silveira.
Na época, Chu chefiava o Departamento de Projetos da CTB e assumiu a missão de desenvolver um protetor para telefones públicos que combinasse funcionalidade e estética.
A Estreia e o Significado do Orelhão
A estreia para o público ocorreu em janeiro de 1972, com instalações no , no dia 20, e em , no dia 25. O orelhão oferecia algo raro: a possibilidade de uma ligação sem rastros pessoais imediatos. Cada chamada era um risco calculado; cada ficha, um elemento de tensão.
O Orelhão na Cultura Popular e no Cinema
O telefone público aparece como parte do imaginário da espionagem clássica — um mundo de códigos, encontros rápidos e ligações curtas, feitas longe de casa. Em O Agente Secreto, filme dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, o telefone público é um instrumento narrativo. Hollywood também explorou esse simbolismo. Em Donnie Brasco, o personagem de Johnny Depp, um agente infiltrado na máfia, usava telefones públicos como quem troca de identidade.
A Decisão da Anatel e o Futuro da Telefonia
A decisão da Anatel ocorre com o fim das concessões do serviço de telefonia fixa das responsáveis pelos aparelhos. Com isso, Oi, Algar, Claro, Sercomtel e deixam de ser obrigadas a manter telefones fixos e orelhões nas vias públicas. A estimativa é que cerca de 30 mil orelhões sejam removidos ao longo deste ano, principalmente em áreas centrais, corredores comerciais e avenidas de grande circulação.
A Anatel avalia que o serviço ainda pode ser necessário em pontos específicos do país, como regiões rurais, áreas isoladas e comunidades indígenas. Além disso, as operadoras deverão direcionar investimentos para redes de banda larga ou serviços móveis.
