Ânima recompra FMU em R 410 milhões, gerando questionamentos no mercado

A Ânima (ANIM 3) anunciou a recomprar a FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), em recuperação judicial, por R 410 milhões, em uma operação que gerou questionamentos no mercado. A decisão, formalizada na última terça – feira (14), reacendeu debates sobre a estratégia da empresa após anos focados em reduzir dívidas e convencer o mercado de que havia deixado para trás grandes aquisições.
Alocação de Capital e Reação do Mercado
O BTG Pactual rebaixou o papel da Ânima para recomendação neutra, cortando o preço – alvo de R 7 para R 4. O banco argumenta que a aquisição não compensa o preço pago, considerando a dívida da FMU e múltiplos elevados.
A decisão da Ânima de reconquistar a FMU, que já foi vendida à Laureate em 2021 sob pressão do Cade, surpreendeu o mercado. A instituição, que faz parte do portfólio da americana desde 2021, possui 58 anos de história, seis campi em São Paulo, cerca de 51 mil alunos e uma forte presença em cursos de Direito e Saúde.
Justificativas da Ânima e Potencial da FMU
A Ânima defende que a aquisição tem grande potencial, considerando a FMU como uma instituição com uma marca forte em São Paulo, que concentra o maior número de estudantes do ensino superior brasileiro e apresenta alta demanda em segmentos estratégicos.
A instituição também opera no ensino presencial, semipresencial e EAD.
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A empresa estima que a aquisição aumente sua base de estudantes em aproximadamente 15% e sua receita líquida consolidada em 11%. Além disso, a FMU está em um momento de reestruturação financeira, preservando uma marca forte e reunindo condições para voltar a crescer sob o ecossistema da Ânima.
A Ânima enxerga potencial para expandir sua rede de EAD em cerca de 60%, com uma base de alunos nessa modalidade em 25%. A empresa também acredita que pode converter parte dos estudantes para o modelo semipresencial, aproveitando a infraestrutura física dos campi da FMU.
A administração da Ânima também sustenta que a aquisição deverá gerar ganhos de eficiência operacional, elevando a margem operacional da FMU de 19% para níveis semelhantes aos das demais instituições do grupo.
Análise do BTG Pactual
O BTG Pactual avalia que a aquisição da FMU pela Ânima representa um múltiplo elevado, equivalente a cerca de 10 vezes o Ebitda anual da instituição. O banco destaca que a relação dívida líquida sobre Ebitda da Ânima deve subir de 2,39 para 2,73 vezes, considerando os números do primeiro trimestre.
Os analistas do BTG Pactual consideram que a operação é difícil de entender, dada a alta taxa de juros no Brasil, o balanço pressionado da Ânima e múltiplos deprimidos para empresas do setor de educação.
O banco sugere que a Ânima teria preferido um programa de recompra de ações ou a aquisição de concorrentes listados em bolsa, mesmo pagando um prêmio, já que essas alternativas provavelmente teriam sido realizadas a múltiplos menores.
A análise do BTG Pactual indica que sem assumir grandes sinergias, a projeção de lucro para 2030 da Ânima cairá mais de 20%.
Autor(a):
Redação
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