ASA mantém posição vendida em petróleo com foco na Venezuela e oferta
ASA mantém posição vendida em petróleo, conforme gestor Felipe Sze. Tensão na Venezuela e excesso de oferta estrutural no mercado de petróleo.
Escalada Geopolítica na Venezuela e a Visão do ASA sobre o Mercado de Petróleo
O cenário geopolítico na Venezuela tem sido um ponto central de atenção no mercado de petróleo, gerando oscilações de preços. No entanto, o fundo de multimercados ASA mantém sua posição vendida em petróleo, conforme declarado pelo gestor Felipe Sze.
Apesar da recente escalada de tensões e da volatilidade nos preços, o ASA acredita que a situação não altera sua análise fundamental da oferta e demanda no mercado.
Excesso de Oferta Estrutural e a Perspectiva do Fundo
Sze argumenta que o mercado já opera com um excedente estrutural, e que o evento venezuelano, embora disruptivo no curto prazo, reforça a perspectiva de um choque de oferta no médio prazo. A tese do fundo se baseia na premissa de que o mercado já incorpora a expectativa de excesso de oferta, e a discussão relevante se concentra na reorganização da oferta no horizonte futuro.
O gestor destaca que nem toda crise geopolítica resulta na redução da capacidade produtiva, diferenciando conflitos que atingem a infraestrutura de situações que podem destravar a produção. Ele menciona a intervenção das petroleiras americanas, com foco na restauração da produção e no investimento de bilhões para ativar a capacidade ociosa.
Volume de Exportação e o Impacto no Mercado
Um dado específico que influencia a análise do ASA é a informação de que a Venezuela enviaria até 50 milhões de barris de petróleo aos EUA. Sze explica que esse volume representa um choque de oferta imediato que o mercado ainda está processando, e que o anúncio impulsiona a discussão sobre fluxos adicionais de petróleo no mercado, mesmo que a execução seja gradual e apresente desafios operacionais.
O gestor ressalta que negociações e planos envolvendo volumes na casa de dezenas de milhões de barris, juntamente com discussões sobre estoques da PDVSA e canais de venda sob coordenação norte-americana, estão moldando a dinâmica do mercado. A expectativa é que esse fluxo adicional de petróleo, mesmo que gradual, contribua para um patamar de preços mais baixo à medida que a oferta se materializa.
Posicionamento do ASA e a Dinâmica do Mercado
O ASA observa que as posições vendidas em patamares recordes e os spreads indicando um aumento de produtividade global sugerem que qualquer repique nos preços será passageiro. O gestor acredita que movimentos de curto prazo refletirão ajustes técnicos e de proteção, mantendo a tendência de queda do petróleo diante de uma oferta futura mais robusta.
Em resumo, a lógica do fundo é que, quando o mercado está muito posicionado de um lado, movimentos de curto prazo podem ser apenas ajustes para corrigir distorções de hedge, sem alterar o vetor principal que, na tese do fundo, é ditado pela oferta.
Implicações para o Investidor e a Visão do ASA
Para quem acompanha o mercado de petróleo, a análise do ASA propõe uma inversão de perspectiva: em vez de medir o risco geopolítico como sinônimo de alta, o investidor deve avaliar se a crise pode reorganizar investimentos e ampliar a produção, e em que velocidade.
Relatos recentes apontam que a indústria venezuelana opera abaixo do potencial há anos, devido a subinvestimento, questões de gestão e sanções, o que torna a agenda de reconstrução um tema relevante quando há sinalização de capital e governança operacional.
O ASA acredita que o petróleo da Venezuela continuará sendo um tema de manchete, mas a aposta do fundo está no que vem depois da manchete: a capacidade ociosa sendo reativada, o fluxo adicional ao mercado e os preços encontrando um patamar mais baixo à medida que a oferta se materializa.
Sze resume a postura do fundo sem rodeios: “Qualquer repique” tende a ser “passageiro”.
Autor(a):
Redação
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