Azul Finaliza Recuperação Judicial nos EUA e Foca em Crescimento Responsável
A Azul (AZUL53) encerrou formalmente sua recuperação judicial nos Estados Unidos, através do processo de Chapter 11, após apenas nove meses. O CEO da companhia, John Rodgerson, anunciou a estratégia da Azul para o futuro, que se concentra em um crescimento mais cauteloso e com foco em rentabilidade.
Em uma coletiva de imprensa realizada na segunda-feira (23), Rodgerson enfatizou que a Azul adotará uma expansão mais criteriosa, com um ritmo moderado de abertura de rotas e um claro direcionamento para a lucratividade. A empresa também descartou a retomada das discussões sobre uma possível fusão com a Gol.
Estratégia de Crescimento e Governança
A Azul saiu do Chapter 11 “muito mais leve” do que previa ao entrar no processo. A companhia conseguiu limpar o balanço, superando os efeitos da pandemia de Covid-19 e da paralisação da malha aérea de Porto Alegre em 2024. A alavancagem líquida da Azul agora está em torno de 2,5 vezes, bem abaixo das 5 vezes registradas antes da recuperação judicial e das 3 vezes que a empresa esperava em abril do ano passado.
A Azul manterá a estrutura de corporation, sem um acionista controlador definido. American e United Airlines serão os acionistas de referência, com 8% de participação cada. A United já possui assento no Conselho de Administração, enquanto a entrada formal da American ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Fatores Chave para o Sucesso da Recuperação
A recuperação judicial da Azul foi considerada um caso bem-sucedido por especialistas. O processo foi concluído em apenas nove meses, um prazo considerado curto para operações dessa complexidade. A escolha dos Estados Unidos foi fundamental, pois permitiu incluir credores de leasing (arrendamento de aeronaves), que não estariam sujeitos à recuperação no Brasil.
Além disso, a Azul contou com o apoio dos credores e teve acesso a financiamento DIP, concedido a empresas em recuperação judicial nos EUA. A empresa espera transportar mais passageiros em 2026 do que no ano anterior, preservar o tamanho da frota e incorporar gradualmente entre cinco e seis aeronaves por ano.
A meta é atingir o patamar de 2,1 vezes de alavancagem líquida nos próximos meses, com uma projeção conservadora de R$ 5,50 para o câmbio.
Desafios e Perspectivas Futuras
A Azul planeja voltar ao serviço dos 13 aviões que estavam parados e continuar o processo de desalavancagem, com a meta de atingir o patamar de 2 vezes de alavancagem líquida. A empresa reconhece que a recuperação judicial resultou em uma diluição quase total da base acionária da empresa, mas enfatiza que a reestruturação foi feita para preservar a Azul.
A companhia acredita que, com uma estratégia de crescimento responsável e uma governança sólida, a Azul poderá alcançar um futuro mais estável e lucrativo.
