Banco Central e TCU Avançam em Inspeção ao Caso Banco Master
O Banco Central autorizou o Tribunal de Contas da União (TCU) a realizar uma inspeção detalhada no processo que culminou na liquidação extrajudicial do Banco Master. A decisão, tomada após uma reunião crucial entre as cúpulas das duas instituições, representa um passo importante na análise das circunstâncias que levaram à desestruturação da instituição financeira liderada por Daniel Vorcaro.
O encontro, ocorrido na última segunda-feira (12), visou esclarecer os limites da atuação do TCU em relação a decisões técnicas tomadas pela autoridade monetária.
O ministro Vital do Rêgo, presidente do TCU, enfatizou que o Banco Central garantiu acesso irrestrito aos documentos que sustentaram a liquidação do Banco Master, permitindo que o tribunal exercesse seu poder fiscalizatório. A reunião, que durou aproximadamente 30 minutos, ocorreu em um momento delicado, considerando a complexidade das investigações em curso e os possíveis impactos no sistema financeiro nacional.
O foco principal da inspeção será avaliar se a liquidação foi proporcional e se alternativas menos drásticas foram consideradas.
Tensão e Limites da Fiscalização
A reunião entre o Banco Central e o TCU reflete uma tensão crescente entre as duas instituições. A decisão do TCU de suspender uma inspeção monocrática, determinada pelo ministro Jhonatan de Jesus, e a subsequente recusa em encaminhar o caso para análise do plenário do tribunal, geraram debates sobre os limites da atuação do TCU.
O Banco Central argumentou que a inspeção proposta inicialmente poderia interferir em decisões técnicas de supervisão bancária.
Investigações em Curso e Implicações
O caso do Banco Master está intrinsecamente ligado a uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo a emissão e venda de títulos de crédito falsos, com um volume potencial de irregularidades que pode chegar a R$ 17 bilhões.
Além disso, as investigações buscam apurar possíveis prejuízos ao Banco de Brasília (BRB) e falhas nos mecanismos de supervisão do sistema financeiro. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também está sob escrutínio, com o Ministério Público (MP) questionando decisões tomadas pelo subprocurador-geral do TCU, Lucas Furtado.
Posições das Partes Envolvidas
A defesa de Daniel Vorcaro negou qualquer envolvimento do Banco Master com fraudes ou irregularidades, afirmando que o banco nunca foi gestor ou cotista de fundos mencionados nas investigações. A Reag Investimentos, também investigada, não comentou o tema.
O caso continua sob análise das autoridades.
