O Banco Central anunciou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial do Will Bank, instituição controlada pelo Banco Master. A decisão formalizou-se com a assinatura do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, após a autoridade monetária determinar que o banco apresentava insolvência e comprometimento financeiro irreversível.
Essa medida implica o encerramento das operações do Will Bank no sistema financeiro nacional, seguindo o mesmo caminho do Banco Master, ocorrido em 2025.
FGC Garante CDBs e Inicia Ressarcimento Histórico
Com a liquidação, os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Will Bank passam a serem cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), até o limite de R$ 250 mil por CPF. O FGC iniciou os pagamentos aos investidores do Banco Master, um processo que deverá movimentar cerca de R$ 40,6 bilhões, beneficiando aproximadamente 800 mil investidores.
Até o momento, mais de 600 mil pedidos foram registrados, com quase 450 mil credores já concluindo a solicitação da garantia. Este é o maior ressarcimento da história do FGC, refletindo a magnitude da crise e o esforço para proteger poupadores e investidores.
Bens de Controladores Bloqueados
Em decorrência da liquidação, o Banco Central determinou a indisponibilidade de bens dos controladores e ex-administradores ligados ao Will Bank. Entre os nomes afetados estão Felipe Felix Soares de Sousa e Ricardo Saad Neto. Essa medida visa preservar recursos para o eventual ressarcimento e investigação de responsabilidades administrativas.
Impactos da Liquidação Extrajudicial
A liquidação extrajudicial se aplica quando o Banco Central conclui que uma instituição não pode mais se recuperar. Nesse regime, o Banco Central nomeou a EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda., responsável também pela liquidação do Banco Master.
O objetivo central é proteger o sistema financeiro e reduzir riscos de contágio para outras instituições.
Contexto do Will Bank Antes da Crise
Criado em 2017 e adquirido pelo Banco Master em 2024, o Will Bank vinha em rápida expansão digital. No entanto, dados recentes revelaram fragilidade, com a instituição dependendo fortemente de captação via CDBs, uma estrutura vulnerável diante da crise de confiança.
Ações Previndas pela Crise
Antes da liquidação oficial, a Mastercard suspendeu transações com cartões emitidos pelo Will Bank, após atrasos no pagamento de operações. A empresa também detém garantias ligadas a dívidas do banco e possui participações relevantes na Westwing e no BRB (Banco de Brasília).
Perspectivas Futuras
A liquidação do Will Bank consolida o encerramento de um braço do ecossistema do Banco Master. Para investidores, o foco agora é o cronograma de pagamentos do FGC. Para o mercado, o episódio reforça a importância de acompanhar a saúde financeira de bancos digitais e a estrutura de garantias de seus produtos.
O Banco Central sinaliza que continuará vigilante, pronto para agir rapidamente e preservar a confiança no sistema bancário brasileiro.
