As ações preferenciais do Banco de Brasília (BSLI4) sofreram uma forte queda na B3 nesta segunda-feira (9). Os papéis registraram uma descida de mais de 20% no início da sessão, atingindo um valor de R$ 4,47. No fechamento, a queda foi de 13,42%, com os papéis cotados a R$ 4,84.
Essa instabilidade no mercado reflete a preocupação com a situação financeira do banco, que vem lidando com as consequências de operações com o Banco Master.
Plano de Recomposição de Capital
Para tentar conter a crise, o Banco de Brasília apresentou um plano de recomposição de capital ao Banco Central. A entrega do plano foi feita pessoalmente pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, junto com o secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias, e o diretor de Fiscalização do BC, Gilneu Vivan.
No entanto, o banco ainda não detalhou os valores envolvidos e quais medidas serão implementadas.
Segundo o Banco de Brasília, os aportes de capital só serão definidos após a conclusão das investigações em andamento. O plano é composto por ações preventivas, com um horizonte de implementação de até 180 dias, visando proteger a sustentabilidade do banco, seus clientes, investidores e parceiros.
A situação se agravou após a aquisição de cerca de R$ 12,2 bilhões em ativos fraudulentos do Banco Master.
Situação Atual e Investigações
Apesar de R$ 10 bilhões desses ativos já terem sido substituídos ou liquidados, a situação continua delicada. O diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, já havia apontado um rombo de cerca de R$ 5 bilhões nas operações com o Banco Master.
Alternativas para Levantar Capital
O Banco de Brasília busca diversas formas de recompor seu capital. Inicialmente, o banco já vendeu cerca de R$ 5 bilhões em ativos de alta qualidade, como crédito consignado e antecipação de saques do FGTS. Além disso, o BRB negocia a venda de carteiras de crédito com garantias do Tesouro Nacional e tenta se desfazer de fundos adquiridos do próprio Master.
Histórico da Crise
A situação do Banco de Brasília se complicou após a compra do Banco Master em março de 2025. Em setembro, o Banco Central vetou a aquisição e anunciou a liquidação do banco comandado por Daniel Vorcaro, devido a crise de liquidez, indícios de irregularidades financeiras e fraude contábil.
A partir daí, foram iniciadas investigações sobre o Banco Master, revelando as operações de venda de carteiras de crédito ao BRB.
