Banco do Brasil Busca Mais Tempo para Devolução de Capital ao Tesouro
Em grandes bancos, o capital é um fator determinante. Ele influencia diretamente o potencial de crescimento, a capacidade de concessão de crédito e a resiliência da instituição diante de momentos de instabilidade econômica. O Banco do Brasil (BBAS3) tem buscado proteger sua base de capital, e recentemente deu um passo nessa direção, solicitando uma revisão no cronograma de devolução de um instrumento financeiro contratado há mais de uma década com o Tesouro Nacional.
Trata-se de um Instrumento Híbrido de Capital e Dívida (IHCD), emitido em 2012, em um período em que o fortalecimento da estrutura de capital era uma prioridade para o banco. Esse mecanismo, que combina características de dívida e capital, representou um aporte do Tesouro que ajudou a melhorar os índices regulatórios, mas com um cronograma de devolução previamente estabelecido.
Após mais de uma década, o BB busca ganhar tempo. A proposta é alterar o ritmo dos desembolsos, aliviando a pressão sobre o capital no curto prazo. O banco propõe parcelas simbólicas de R$ 100 milhões em julho de 2026 e julho de 2027, um pagamento de R$ 1 bilhão em julho de 2028 e uma parcela de R$ 2,9 bilhões em julho de 2029.
Para o Banco do Brasil, o capital é essencial. Ele atua como um amortecedor e um motor, influenciando a expansão da carteira de crédito, o crescimento e a capacidade de enfrentar choques econômicos. Se a repactuação for aprovada, o BB prevê preservar 8 pontos-base (bps) de capital em 2026 e 2027.
Com o alongamento, o custo dos desembolsos seria impactado, com um consumo estimado de 8 bps em 2028 e 22 bps em 2029, quando os pagamentos se tornariam mais concentrados. Atualmente, nada muda até que o pedido seja analisado e aprovado. O Banco do Brasil adota uma postura mais conservadora, buscando fortalecer sua base de capital como parte de um plano de médio prazo.
Recentes medidas incluem a redução do payout, a fatia do lucro distribuída aos acionistas, para 30% em 2025 e 2026. Essa decisão permite que o banco utilize os recursos retidos para fortalecer o balanço, e realizar pagamentos extraordinários aos investidores, como fez no último trimestre.
