Crise no Banco Master: Versões Divergentes e Impacto no FGC
O Banco Master enfrentou uma grave crise de liquidez, operando com um modelo de negócios quase totalmente dependente do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Essa situação veio à tona após depoimentos de Daniel Vorcaro, controlador da instituição, prestados à Polícia Federal no final de dezembro, no âmbito de investigações sobre fraudes bilionárias envolvendo o banco e operações com o Banco de Brasília (BRB).
Vorcaro argumenta que a crise não surgiu de fraudes ou insolvência, mas sim de uma mudança nas regras do jogo.
A Versão de Daniel Vorcaro
Segundo o banqueiro, a dependência do FGC era a base do modelo de negócios do Banco Master desde 2018, formalmente apresentada e aceita pelo Banco Central. Vorcaro alega que a “regra do jogo” era essa relação, e o regulador saía disso quando o FGC passava por mudanças nas normas, restringindo a capacidade de captação de recursos das instituições.
Ele afirma que a crise se originou com a pressão dos grandes bancos, que alteraram duas vezes as regras do FGC, sufocando a captação do Banco Master. Vorcaro nega a existência de uma fraude estimada em R$ 12 bilhões envolvendo a venda de créditos ao BRB, defendendo que as transações ocorreram dentro de parâmetros técnicos e regulatórios.
Ele também destaca que a tentativa de venda do Banco Master ao BRB foi recomendada por auditorias e pela própria fiscalização do Banco Central, sendo vista como um bom negócio para o sistema financeiro.
Controvérsias e Desacordos
Apesar das declarações de Vorcaro, a Polícia Federal e o Banco Central divergem em suas investigações. O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, negou que sua área tenha recomendado a compra de carteiras de crédito do Master pelo BRB, afirmando que foi a fiscalização que identificou as inconsistências e levou o caso ao Ministério Público Federal.
Essa declaração veio após uma coluna da jornalista Malu Gaspar relatar a suposta solicitação de Aquino ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, para comprar milhões de reais em créditos do Master.
Impacto no FGC e no BRB
A crise no Banco Master já causou um impacto significativo no FGC, que desembolsou R$ 26 bilhões para indenizar 521 mil credores. A estimativa final para a liquidação do Master pode chegar a R$ 40,6 bilhões. Além disso, a situação também afetou o Banco de Brasília, que se viu no centro da turbulência após adquirir carteiras de crédito do Master com inconsistências.
O novo presidente do banco público, Nelson Antônio de Souza, tem adotado um discurso de contenção de danos, confirmando a negociação de uma linha de crédito emergencial com o FGC, que exigirá garantias do governo do Distrito Federal.
A crise no Banco Master demonstra a importância da regulação e da supervisão do sistema financeiro, bem como os riscos associados a modelos de negócios dependentes de um único fundo garantidor. O desenrolar das investigações e a conclusão do impacto financeiro da liquidação do banco ainda estão em andamento.
