Impacto das Mudanças no FGC nos Grandes Bancos em 2026
As recentes alterações nas regras de financiamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) devem ter um efeito limitado nos resultados financeiros dos principais bancos brasileiros em 2026. Uma análise realizada por especialistas do Citi revelou que as mudanças introduzirão dois ajustes principais.
Inicialmente, os bancos deverão antecipar contribuições ordinárias ao FGC, equivalentes a 1 ponto-base dos depósitos elegíveis.
Adicionalmente, haverá uma sobretaxa operacional recorrente, que temporariamente ampliará os desembolsos das instituições. O cronograma de implementação prevê um adiantamento imediato de 60 meses em 2026, seguido por parcelas adicionais de 12 meses em 2027 e 2028.
Essa estrutura visa garantir a disponibilidade de recursos do FGC para cobrir eventuais inadimplências.
Paralelamente, o FGC cobrará uma contribuição extraordinária de 6 pontos-base ao ano. Os analistas do Citi consideraram o CDI como custo de oportunidade integral na estimativa dos impactos financeiros. A análise abrangeu instituições como Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander Brasil, Nubank, Banco Inter e ABC Brasil.
O impacto financeiro estimado varia significativamente entre as instituições. Para o Nubank, a projeção é de cerca de 0,4% do lucro. Já o Banco do Brasil pode enfrentar um impacto de aproximadamente 1,9%. Os analistas alertam que algumas projeções podem estar infladas, especialmente para o Banco do Brasil, Itaú e Nubank.
Isso se deve à inclusão de todos os depósitos, incluindo operações realizadas fora do Brasil, o que pode levar a uma superestimação do efeito real.
Após a autorização do Conselho Monetário Nacional em janeiro, o Banco Central definirá formalmente o cronograma de implementação. Os analistas do Citi preveem que essa etapa ocorrerá entre março e maio. Existe a possibilidade de concessão de um “waiver” temporário, considerando a natureza excepcional da medida e as limitações de capital de algumas instituições.
Paralelamente, os bancos estão buscando alternativas para utilizar os depósitos compulsórios no financiamento dos adiantamentos do FGC. Além disso, os analistas do Citi destacam que os bancos provavelmente acelerarão iniciativas de ganhos de eficiência e, se necessário, ajustarão a precificação do crédito ao longo do período para preservar a rentabilidade.
