Berkshire Hathaway reavalia a aposta frustrada na Kraft Heinz, sob comando de Greg Abel

Berkshire Hathaway reavalia a aposta na Kraft Heinz, um dos investimentos desafiadores de Warren Buffett. Novo comando busca reduzir exposição à fabricante de ketchup e salsichas

22/01/2026 11:40

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(Imagem de reprodução da internet).

Berkshire Hathaway Reavalia Aposta na Kraft Heinz

A paciência de Warren Buffett foi testada pela aposta na Kraft Heinz, um dos investimentos mais desafiadores em sua longa carreira. O “sonho grande” do megainvestidor se transformou em uma das poucas gafes do Oráculo de Omaha em décadas. Agora, sob novo comando, a Berkshire Hathaway dá sinais de que pode encerrar uma aposta que nunca entregou o retorno prometido.

Greg Abel, que assumiu a liderança, deu um passo formal para consertar a aposta frustrada de Buffett, ao registrar a totalidade da participação de 27,5% da holding na Kraft Heinz. Na prática, o movimento não significa uma venda imediata, mas abre caminho para que a Berkshire reduza — ou até encerre de vez — sua exposição à fabricante de ketchup e salsichas.

Reavaliação da Posição

A aposta frustrada de Warren Buffett em um histórico de investimentos de Warren Buffett que beira o impecável. Desde a fusão que criou o gigante global de alimentos, em 2015, as ações da companhia acumulam uma queda de cerca de 70%. Mesmo assim, a Berkshire manteve-se firme na posição durante quase toda a última década.

Custos e Perdas Contábeis

Parte das perdas com a Kraft Heinz foi, ao longo dos anos, amortecida por dividendos bilionários. Ainda assim, o desempenho decepcionante cobrou seu preço. Em 2025, a Berkshire reconheceu uma baixa contábil de US$ 3,8 bilhões relacionada à participação.

Pelas contas da Morningstar, o custo do investimento chegava a US$ 8,5 bilhões no fim do terceiro trimestre de 2025 — bem acima do valor de mercado da participação na empresa, estimado em US$ 7,7 bilhões. Em outras palavras, era mais caro para a holding de Buffett possuir ações da Kraft Heinz do que a própria avaliação da empresa a mercado.

Análise e Próximos Passos

Segundo analistas da Stifel, o registro da participação dá flexibilidade à Berkshire, sem necessariamente sinalizar uma venda iminente. “O documento permite que a Berkshire Hathaway reduza sua participação acionária; acreditamos que novas notificações só devem aparecer nos relatórios trimestrais 13F”, dizem os analistas.

A próxima atualização relevante deve vir em meados de maio, com a divulgação das posições da Berkshire no primeiro trimestre.

Para o mercado, o timing diz muito sobre a nova fase da Berkshire. Na avaliação de Greggory Warren, analista da Morningstar, o movimento “reflete o desejo de Greg Abel de simplificar e reduzir o portfólio de investimentos logo no início de seu mandato”.

Contexto da Kraft Heinz

O movimento também coincide com um momento de reorganização dentro da própria Kraft Heinz. De um lado, molhos, pastas e refeições de longa duração; de outro, marcas icônicas do mercado americano, como Oscar Mayer, Kraft Singles e Lunchables.

A cisão busca destravar valor, mas não convence a todos — nem mesmo o Oráculo de Omaha. O próprio Buffett já deixou claro seu desconforto com os rumos do negócio. Em entrevista à CNBC, em 2025, o megainvestidor reconheceu que a fusão não foi o “negócio brilhante” que imaginava.

Ainda assim, “Com certeza não foi uma ideia brilhante juntá-los, mas não acho que separá-los vá resolver o problema”, disse o investidor.

Origens do Investimento

A história da Kraft Heinz começa com ambições elevadas. A fusão que criou a companhia nasceu da aliança entre a Berkshire Hathaway, de Buffett, e a 3G Capital, de Jorge Paulo Lemann. O “sonho grande” dos investidores era… Mas o roteiro não saiu como planejado.

Poucos anos após o negócio, as vendas nos Estados Unidos começaram a encolher. O consumidor americano, cada vez mais atento à saúde, passou a evitar alimentos ultraprocessados, enfraquecendo marcas que haviam sido sinônimo de conveniência por décadas.

Ao mesmo tempo, cortes agressivos de custos limitaram a capacidade da Kraft Heinz de investir em inovação e marketing — justamente quando essas marcas precisavam se reinventar para continuar relevantes. O resultado foi um gigante pesado, pouco ágil e cada vez mais distante do crescimento.

Enquanto a, a Berkshire permaneceu.

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