Bradesco: Análise do JP Morgan Revela Limites de Rentabilidade
Após um período de estagnação, o Bradesco (BBDC4) finalmente apresentou resultados que atendem às expectativas do mercado. No entanto, o JP Morgan, gigante do setor financeiro, vê nessa recuperação apenas a aproximação de um teto difícil de romper.
A visão do banco norte-americano é que o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do Bradesco tende a se estabilizar em torno de 17% no médio prazo. Essa taxa, embora suficiente para cobrir o custo de capital, não seria suficiente para impulsionar uma nova rodada de precificação das ações.
Potencial de Rentabilidade Limitado
Apesar da melhora nos últimos trimestres, com redução do custo de risco e aumento da rentabilidade, o JP Morgan destaca que a continuidade dessa recuperação depende crucialmente da eficiência do banco. O índice de eficiência, que fechou 2025 em torno de 50%, ainda está distante do índice de 38% do Itaú.
Mesmo com a redução da rede de agências, os analistas acreditam que investimentos em tecnologia e modernização só trarão ganhos adicionais a partir de 2027 ou 2028.
Outro fator que limita o potencial de rentabilidade do Bradesco é o baixo nível de patrimônio tangível, ajustado por ativos fiscais diferidos (DTA) e intangíveis. Segundo o JP Morgan, esse fator não apenas restringe a rentabilidade de médio prazo, mas também pode pressionar o capital do banco a partir de 2026.
Cenários e Expectativas
Para analisar a situação, o JP Morgan traçou dois cenários: um otimista, que prevê um aumento do ROE no varejo (Bradesco Varejo) para além de 11,5%, e outro mais conservador, que estima uma oscilação entre 16% e 17% de ROE nos próximos anos.
No cenário mais conservador, o peso dos ativos fiscais diferidos, que removem entre 4 e 5 pontos percentuais do ROE em relação ao Itaú, e uma taxa efetiva de imposto elevada (cerca de 20%) continuam a ser obstáculos. Além disso, a otimização de despesas a partir de 2027 pode pressionar tarifas e outras fontes de receita.
Recomendação do JP Morgan
Considerando todos os fatores, o JP Morgan avalia que um ROE de 17% a 17,5% pode ser o limite para o Bradesco, a menos que o patrimônio tangível melhore ou que as taxas de juros no Brasil caiam de forma significativa.
Apesar disso, o JP Morgan mantém recomendação neutra para as ações do Bradesco, com preço-alvo de R$ 22, o que representa uma valorização potencial de 6,7% em relação ao último fechamento. O banco destaca que o Bradesco continua oferecendo um retorno com dividendos (dividend yield) atrativo, próximo de 7,6%, com crescimento de lucro estimado em torno de 12% em 2026 e 2027.
Conclusão: Bradesco – Um Retorno Equilibrado
O JP Morgan considera que a relação entre risco e retorno do Bradesco parece bem equilibrada, o que explica a preferência pelo Itaú. Com o múltiplo já refletindo um ROE acima do custo de capital, o banco vê o risco-retorno como equilibrado.
