Brasil e Mercosul Avaliam Acordo com EUA sob Preocupação de Violação de Regras
O governo brasileiro está analisando, desde a semana passada e com a intenção de continuar, as preocupações surgidas após a divulgação de um acordo entre o Brasil e os Estados Unidos. A informação foi confirmada por fontes com acesso direto às negociações.
Diplomatas brasileiros estão examinando o documento apresentado por Washington na última sexta-feira, buscando entender o escopo das medidas propostas.
De acordo com interlocutores, uma análise inicial sugere que o acordo pode exceder os limites estabelecidos para negociações bilaterais dentro do Mercosul. O bloco sul-americano impõe restrições à assinatura de acordos comerciais individuais com países terceiros, visando preservar o poder de negociação conjunto em nome do bloco.
Em 2025, a Argentina obteve autorização para ampliar temporariamente o número de exceções à Tarifa Externa Comum do Mercosul, em meio às tensões comerciais globais. Brasil e Argentina receberam permissão para até 150 exceções tarifárias cada, enquanto Uruguai e Paraguai tiveram cotas maiores.
A situação atual levanta questionamentos sobre o alcance do novo acordo.
Um funcionário do governo argentino minimizou as reduções tarifárias anunciadas para produtos dos Estados Unidos, afirmando que estavam dentro dos limites permitidos. No entanto, autoridades brasileiras consideram que o acordo pode abranger cerca de 200 itens, um número superior ao autorizado. “Estamos analisando isso com muito cuidado para garantir que possamos ser justos”, declarou uma das fontes envolvidas nas discussões.
Os governos do Brasil e do Uruguai optaram por não se manifestar publicamente sobre o tema. As autoridades paraguaienses e argentinas, assim como o Departamento de Estado dos Estados Unidos, não forneceram posicionamento até o momento da publicação.
