O mercado brasileiro de criptoativos tem demonstrado um notável avanço em termos de regulamentação e diálogo com as autoridades. No entanto, ainda enfrenta obstáculos para manter sua competitividade em comparação com outras jurisdições. Essa avaliação é de Guilherme Murtinho, vice-presidente para Europa e Ásia da Transfero, durante uma entrevista no evento MERGE São Paulo 2026.
Murtinho ressaltou que o Brasil demorou mais tempo para desenvolver seu setor de criptoativos, em contraste com mercados internacionais mais maduros. Ele atribuiu esse atraso à complexidade da conjuntura política e econômica do país, que influenciaram as prioridades do Banco Central.
A Transfero, com mais de uma década de experiência no setor, buscou soluções fora do Brasil para estruturar suas operações. A empresa optou por estabelecer-se na Suíça, buscando um ambiente regulatório mais favorável para desenvolver boas práticas e, posteriormente, aplicar esse aprendizado no Brasil.
Murtinho enfatizou que essa estratégia contribuiu para a maturidade do mercado brasileiro, que agora avança com uma base mais sólida. A regulação, segundo ele, é fundamental para garantir segurança e evitar fraudes, mas deve buscar um equilíbrio.
A tecnologia, na visão do executivo, continuará evoluindo em um ritmo mais acelerado do que a capacidade regulatória. O debate sobre a tributação de stablecoins no Brasil, por exemplo, ainda carece de definição clara.
A forma como o país trata a tributação desses ativos pode impactar diretamente a competitividade do mercado nacional. A cobrança de impostos, como o IOF, poderia levar o mercado a buscar alternativas, encarecendo o produto para o usuário e reduzindo a competitividade do Brasil.
Associações do setor, como ABCripto e ABToken, desempenham um papel importante no processo de construção regulatória, levando a visão do mercado para as discussões. A tendência é que o Brasil continue avançando nesse processo, com ajustes graduais nas regras.
Apesar dos desafios, o cenário atual é positivo, com espaço para crescimento e desenvolvimento do setor no país. É crucial manter um diálogo aberto com o regulador para garantir que o Brasil continue competitivo.
