Braskem, Cosan e Raízen enfrentam desafios na bolsa devido ao endividamento
Braskem (BRKM5), Cosan (CSAN3) e Raízen (RAIZ4) enfrentam desafios comendáveis no mercado da bolsa. Empresas com alto endividamento e custos de capital elevados. Investidores reduzem exposição, gerando renegociações e vendas de ativos. Juros altos e expectativa de queda em 2028 impactam o cenário
Destaques Negativos na Bolsa: Braskem, Cosan e Raízen
No último ano, as ações da Braskem (BRKM5), Cosan (CSAN3) e Raízen (RAIZ4) se destacaram negativamente no mercado da bolsa. Um fator comum entre essas empresas é o alto nível de endividamento. O mercado de dívida corporativa apresenta desafios e oportunidades para investidores.
Essas empresas enfrentaram um aumento significativo na sua alavancagem financeira, resultando em custos de capital mais elevados. Como consequência, investidores reduziram sua exposição às ações e títulos dessas empresas, levando a renegociações de dívidas e vendas de ativos.
A taxa básica de juros, historicamente alta, também contribuiu para essa situação, com expectativa de queda apenas em 2028.
O cenário não é exclusivo dessas empresas. O endividamento das empresas, em geral, aumentou, e a inadimplência subiu entre as pequenas e médias empresas. Um paradoxo se apresenta: com juros elevados, o interesse em títulos de dívida corporativa é alto, mas o custo da dívida também é elevado, impactando os balanços de algumas empresas.
Desafios e Oportunidades no Mercado de Dívida Corporativa
Para 2026, o mercado de dívida corporativa enfrenta desafios, como juros ainda altos e umaversão ao risco. Existe o risco de que o problema da alavancagem se generalize e afete mais empresas. No entanto, especialistas apontam que as adversidades enfrentadas por essas empresas foram pontuais, e as companhias tomaram medidas para controlar sua dívida e melhorar seu perfil de endividamento.
O mercado ainda apresenta um cenário comprador, com emissões de títulos de dívida firmes. No acumulado do ano passado até novembro, as emissões primárias de renda fixa totalizaram R$ 640 bilhões, um crescimento de 3,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As debêntures incentivadas atingiram R$ 150,7 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, um recorde da série histórica. Essas debêntures são isentas de imposto de renda para o investidor pessoa física.
Risco de Dívida e Qualidade do Mercado
Embora não seja um problema generalizado, a inadimplência e a dificuldade de pagamento são pontos de atenção, especialmente em empresas mais alavancadas. A Selic no nível atual gera interesse em títulos de dívida, mas o custo da dívida elevado impacta os balanços.
A inadimplência aumentou entre as pequenas e médias empresas, mas as empresas de bolsa mantiveram boa qualidade de crédito.
O spread, ou a diferença entre os juros dessas dívidas e os títulos públicos, se manteve relativamente estável, com ligeiras variações. As debêntures IPCA+ permaneceram próximas de zero, enquanto os títulos CDI+ apresentaram um aumento nos prêmios.
As empresas brasileiras precisaram ser criativas para reduzir sua alavancagem, com renegociações de dívidas, vendas de ativos e aumentos de capital.
Cautela e Análise do Investidor
Com juros elevados, o mercado antecipou quais empresas poderiam ter dificuldades, com uma estrutura de capital mais arrojada. Portanto, é momento de cautela, de ter controle melhor e de refinar qual investimento você vai fazer. O que vai determinar se uma empresa irá conseguir arcar com seus pagamentos no ano que vem não é a queda da Selic — que deve chegar a 12,25% ao ano ao final de 2026, segundo o último Boletim Focus — , mas sim como está organizado o fluxo de pagamentos da empresa, se está muito concentrado no curto prazo ou se ela conseguiu alongar a dívida.
Conclusão
Com a alta taxa de juros, o mercado já antecipou quais empresas poderiam ter dificuldades, com uma estrutura de capital mais arrojada. Portanto, é momento de cautela, de ter controle melhor e de refinar qual investimento você vai fazer.
Autor(a):
Redação
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