BRB Aponta Falhas e Cartas Ignoradas em Negociação com Master
Documentos internos do Banco de Brasília (BRB) revelam uma série de preocupações em relação à negociação com o Banco Master. O relatório interno aponta que o BRB não recebeu respostas para cartas formais que solicitavam esclarecimentos sobre pendências financeiras, os critérios utilizados nas operações e o cumprimento das cláusulas contratuais estabelecidas nos contratos.
A situação gerava crescente desconfiança sobre a saúde financeira do Master.
Durante o ano de 2025, o BRB tentou adquirir 58% das ações do Master por um investimento de R$ 2 bilhões. No entanto, essa transação foi bloqueada por uma série de fatores. A falta de comunicação e a sucessivas adições de reuniões por parte do Master contribuíram para a paralisação da operação.
Relatórios elaborados por um grupo de trabalho do BRB, criado para analisar o processo de compra de operações de crédito, evidenciaram inconsistências nos repasses financeiros, falhas na documentação e obstáculos para a verificação dos contratos.
A equipe técnica do BRB buscava solucionar os problemas diretamente com o Master, mas sem sucesso.
Um dos relatórios, elaborado logo após a sinalização da intenção de compra do Master, demonstrava que o BRB identificava divergências nos repasses financeiros. Os técnicos apontavam que os arquivos recebidos não incluíam as parcelas previstas, o que elevava a inadimplência acima do esperado.
Após tentativas de contato por e-mail e cartas formais para esclarecer as pendências, o BRB tentou agendar reuniões com o Master, mas os encontros foram repetidamente adiados.
Problemas com as Carteiras do Master: Entre os dias 15 e 17 de abril de 2025, o grupo de trabalho realizou a primeira visita técnica na sede do Master, buscando solucionar as pendências. Segundo o relatório, o Master controlava as operações manualmente e apresentava limitações para calcular os valores de repasse. Em outra visita técnica, em abril, o BRB descobriu que uma parcela das carteiras de créditos adquiridas do Master não tinham o banco como fonte.
As investigações revelaram que o BRB comprou R$ 12 bilhões em carteiras de crédito que não pertenciam ao Master e não possuíam garantia financeira. A suspeita é que o Banco Master não tinha fundos suficientes para cumprir com os títulos que emitiu.
O BRB adquiriu créditos da empresa Tirreno sem realizar pagamentos e, posteriormente, os revendeu ao Banco de Brasília.
