BTG Pactual Aposta em Retomada de IPOs Após Sucesso da Compass na B3

Retomada de IPOs no Mercado de Ações e Estratégias do BTG Pactual
Após quase cinco anos de um período de relativa estagnação, uma única oferta de Initial Public Offering (IPO) reacendeu a esperança de que o mercado de ações brasileiro possa, de fato, voltar a abrir suas portas para novas empresas. O BTG Pactual (BPAC11) vê essa situação como um sinal positivo, acreditando que nos próximos meses a B3 (bolsa de valores) poderá atrair mais ofertas de ações.
A reabertura da janela de captalização na B3 foi impulsionada pelo IPO da Compass (PASS3), uma operação que marcou o início de uma nova fase para o mercado de capitais local. Renato Hermann Cohn, Diretor Financeiro (CFO) do BTG, destacou que o sucesso da oferta da Compass, com um volume relevante de negociação, demonstra o apetite dos investidores e o potencial de uma sequência de IPOs. “Tem várias empresas prontas.
Mais de uma dezena. Cada uma vai avaliar o melhor momento, mas, quando uma vem, puxa outras”, afirmou Cohn, ressaltando a importância de uma transação bem-sucedida para reconstruir a confiança no mercado.
Para o BTG, o episódio funciona como um destravamento do mercado brasileiro, em um ambiente ainda desafiado por juros elevados, volatilidade global e instabilidade no fluxo de investimentos estrangeiros. O balanço do primeiro trimestre de 2026, apresentado pelo CFO, reforça a estratégia do banco de se tornar menos dependente de janelas de mercado e mais focado em diversificação e execução. “O que a gente tenta fazer ao longo do tempo é construir um banco preparado para cenários bons e ruins”, explicou Cohn, enfatizando a importância de uma abordagem resiliente e adaptável.
O IPO da Compass: Mais do que uma Exceção
O BTG enxerga o IPO da Compass não como um evento isolado, mas como o início de uma possível onda de ofertas no mercado. Desde 2021, não havia IPOs no Brasil, e o sucesso da Compass, com um volume de negociação significativo, indica que o apetite dos investidores retornou.
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Cohn ressaltou que o mais importante é o efeito dominó que a oferta pode gerar, reconstruindo a confiança e incentivando outras empresas a buscar o mercado de ações.
Desaceleração no DCM e Novas Oportunidades
Apesar do cenário macroeconômico desafiador, com a guerra no Oriente Médio e a volatilidade do fluxo estrangeiro, o BTG identificou oportunidades de crescimento em outras áreas. O Debt Capital Markets (DCM) do banco apresentou sinais de desaceleração na reta final do trimestre, mas essa retração abriu espaço para um movimento complementar dentro do próprio BTG.
Com spreads mais elevados após a desaceleração do DCM, o banco ampliou sua atuação em crédito corporativo, especialmente com empresas de maior qualidade.
Consumer Finance: Um Motor de Crescimento
A mudança mais estrutural do trimestre foi a integração da operação de Consumer Finance do Banco Pan ao BTG Pactual. Essa vertical, que engloba crédito a pessoas físicas, deve se tornar um motor de crescimento para o grupo nos próximos anos. Atualmente, essa fatia do portfólio responde por 11% das receitas do grupo, ante 10% no trimestre anterior, e o BTG confia que essa participação pode chegar a 15% a 20% até 2028.
Perspectivas e Desafios
O BTG mantém uma leitura construtiva para o Brasil, apesar das incertezas do cenário macroeconômico. A expectativa de uma queda mais rápida dos juros perdeu força com o aumento das tensões geopolíticas, mas o banco acredita que os múltiplos são baixos, as empresas são de qualidade e o país continua atraente.
O executivo enfatizou que a convergência da rentabilidade do Pan para um patamar próximo ao do BTG até 2028 dependerá de sinergias operacionais, migração para um core bancário unificado, melhor originação de crédito e fidelização de clientes.
A estratégia do banco continua focada em eficiência, redução de custos, melhor experiência do cliente e uma carteira de crédito com melhor qualidade.
Autor(a):
Redação
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