Crise no Banco Master Revela Falhas na Estrutura de Captação do Sistema Financeiro
Após semanas de acusações e debates públicos entre executivos do sistema financeiro, o BTG Pactual (BPAC11) decidiu romper o silêncio. O CEO, Roberto Sallouti, argumenta que o problema exposto pela crise do Banco Master não reside na oferta de produtos financeiros, mas sim na forma como o capital foi captado e utilizado.
A instituição financeira, um dos maiores bancos de investimentos do país, não considera a falência do Banco Master como resultado de falhas no modelo de distribuição de produtos ou no uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em si.
A Distorção no Uso do FGC
Segundo os executivos do BTG, o caso expôs uma distorção no uso do FGC, que se tornou uma ferramenta primária de captação, sem a devida contrapartida de gestão de risco, capital e liquidez. Essa dependência excessiva, especialmente através da venda de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master, é vista como um dos fatores que contribuíram para a crise.
O banco reconhece que, em determinado momento, a oferta de CDBs do Banco Master foi intensificada, mas afirma que alertas internos sobre as dificuldades na análise do balanço da instituição de Daniel Vorcaro já haviam surgido no início de 2024.
Resposta Gradual do BTG
A administração do BTG respondeu ao caso de forma gradual. Inicialmente, o banco reduziu a oferta dos CDBs do Banco Master, seguido por um processo de educação e aconselhamento com seus clientes, visando garantir que os investimentos permanecessem dentro dos limites do FGC e de uma alocação saudável de portfólio.
Em outubro de 2024, a instituição interrompeu completamente a distribuição dos CDBs do Banco Master. O diretor financeiro (CFO) do BTG, Renato Hermann Cohn, enfatiza que o objetivo é evitar um retorno ao modelo anterior, em que o investidor tinha poucas opções além do balcão do próprio banco.
O FGC: Proteção e Concorrência
O CEO do BTG, Roberto Sallouti, ressalta que o FGC tem um objetivo dual: proteger o investidor e fomentar a concorrência entre as instituições financeiras. A instituição financeira acredita que o teto de R$ 250 mil por CPF e por conglomerado, atualmente estabelecido para o FGC, precisa ser respeitado tanto pelos bancos quanto pelos investidores.
A administração do BTG teme que uma regulamentação excessivamente restritiva possa levar a um retorno ao modelo anterior, em que o investidor tinha poucas opções além do balcão do próprio banco. A instituição financeira defende que o desafio agora é calibrar melhor as regras, preservando o que funcionou e corrigindo os excessos.
Reequilibrando o Sistema Financeiro
A crise no Banco Master representa uma oportunidade para o sistema financeiro brasileiro repensar a forma como o FGC é utilizado e como os investimentos são captados. O BTG Pactual defende que o objetivo é encontrar um equilíbrio entre a proteção do investidor e a concorrência entre as instituições, garantindo que o FGC continue a desempenhar seu papel fundamental no sistema financeiro, sem, no entanto, incentivar práticas de risco excessivo.
