Apesar da decisão tomada em Santos (SP) de não iniciar uma paralisação nacional, a situação entre os caminhoneiros e o governo permanece tensa. Entidades da categoria continuam a expressar apoio à Medida Provisória nº 1.343/2026, que visa endurecer a fiscalização do piso mínimo do frete e estabelecer regras mais rígidas para o pagamento aos motoristas.
No entanto, a mobilização permanece ativa, aguardando a resolução dos pontos ainda pendentes da pauta.
Negociações em Andamento
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), confirmou que o governo dará continuidade às negociações com a categoria na próxima semana. A decisão do Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (Sindicam) não significa o fim do movimento, apenas um breve adiamento de uma possível paralisação.
A expectativa é que novas conversas e possíveis emendas à medida provisória possam trazer o alívio desejado pela categoria.
Pressão e Possíveis Mudanças
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) e a Associação Brasileira de Transportes (Abrava) reforçam a pressão sobre o governo. Ambas as entidades buscam avanços nas negociações, especialmente em temas como o preço do diesel, o frete e a fiscalização do piso mínimo.
A suspensão da greve, por ora, depende diretamente do progresso nessas discussões.
Novas Medidas Governamentais
O governo publicou a Medida Provisória nº 1.343/2026, que exige o registro das operações de transporte através do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), permitindo a ANTT cruzar os valores pagos com o piso mínimo do frete rodoviário.
A medida prevê multas que podem variar de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação para empresas que não cumprirem a tabela. Em caso de reincidência, a empresa pode ter o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) suspenso ou a autorização cancelada.
Desmobilização em Santa Catarina
Em Santa Catarina, o movimento de paralisação anunciado pela Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga (ANTC) foi desmobilizado após uma decisão judicial que proibiu bloqueios nas BRs 101 e 470 e nos acessos ao complexo portuário de Itajaí e Navegantes, com multas para os envolvidos.
