Champanhe: Ciência define fórmula e garante bolhas perfeitas no icônico drink

Ciência redefine alimentos: doce de leite, queijo, chocolate, gelato e champanhe ganham selo técnico com premiações internacionais.

12/01/2026 11:27

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(Imagem de reprodução da internet).

Um aspecto notável surge quando a produção de alimentos deixa de ser um processo de tentativa e erro, transformando-se em um projeto técnico. A ciência entra em jogo, não para criar algo inédito, mas para compreender as causas de falhas e evitar que elas se repitam.

Quando isso acontece, o reconhecimento vai além de júris técnicos e prêmios internacionais, alcançando o público e o mercado.

Doce de Leite: Ciência e Qualidade

O doce de leite Viçosa não surgiu de um preparo improvisado, mas de um laboratório de ciência. Desenvolvido na Universidade Federal de Viçosa, ele foi concebido para solucionar problemas comuns no doce artesanal, como cristalização irregular, sabor queimado e textura arenosa.

A solução reside no controle rigoroso da proporção entre leite e açúcar, na temperatura exata e no tempo de cozimento calibrado para equilibrar a caramelização e a reação de Maillard.

O resultado não se limitou à aceitação popular; o produto conquistou prêmios em concursos de laticínios e, mais importante, tornou-se referência técnica em avaliações sensoriais.

Queijos Premiados: Microbiologia no Comando

Os grandes vencedores do World Cheese Awards compartilham um fator em comum: controle absoluto do processo. Atualmente, um queijo premiado é resultado de manejo preciso de acidez, umidade, temperatura de maturação e microbiologia. Anteriormente, o queijo dependia muito do clima, do ambiente e da intuição do produtor.

Com a ciência, a fermentação se tornou previsível, reduzindo defeitos invisíveis, como amargor excessivo, olhos irregulares ou contaminações. O prêmio reconhece esse equilíbrio químico e biológico transformado em sabor.

Chocolate: Física e Química da Manteiga de Cacau

Embora o chocolate exista há séculos, sua avaliação técnica começou quando a ciência compreendeu o processo de cristalização da manteiga de cacau. Ela pode se organizar em diversos tipos de cristais, mas apenas um garante brilho, textura firme e derretimento limpo.

A ciência ensinou a temperar: controlar temperatura, resfriamento e reaquecimento para “escolher” o cristal certo do alimento.

Competições como o International Chocolate Awards avaliam precisamente isso. Um chocolate pode ser saboroso, mas se cristalizar incorretamente, perde pontos. A ciência transforma a sensação tátil em critério técnico.

Gelato Italiano: Engenharia da Cremosidade

O gelato só se tornou padrão mundial quando a ciência definiu sua estrutura ideal. A atuação científica está no controle do tamanho dos cristais de gelo, da quantidade de ar incorporado e do equilíbrio entre açúcar e gordura. A Gelato World Cup premia quem domina essas variáveis.

A cremosidade deixou de ser uma impressão e se tornou um resultado mensurável.

Champanhe: O Sabor Existe se Seguir a Fórmula

Talvez nenhum alimento-bebida represente melhor o consenso científico como o champanhe. A bebida só se tornou confiável quando a ciência dominou a segunda fermentação dentro da garrafa. O processo envolve controle preciso de leveduras, açúcar, pressão interna e tempo de envelhecimento.

Antes disso, as garrafas explodiam, oxidavam ou ficavam doces demais. A ciência transformou um vinho instável em um produto replicável, com bolhas finas e acidez controlada.

Hoje, além de acumular prêmios internacionais, o champanhe é protegido por regras técnicas rígidas. Se não seguir o método, não recebe o nome.

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