Impacto do Conflito no Oriente Médio no Mercado de Energia
O mundo acompanha de perto o desenrolar do conflito no Oriente Médio e seus impactos no mercado de energia. A interrupção no Estreito de Ormuz, rota vital para o escoamento de cerca de 20 milhões de barris de petróleo diariamente, tem gerado instabilidade nos preços das commodities.
Em março de 2026, com um mês de guerra em curso – dentro do período previsto pelos Estados Unidos de quatro a seis semanas –, a incerteza sobre o fim do conflito intensifica a pressão sobre os mercados energéticos.
O analista da Empiricus Research, Matheus Spiess, destaca que o mercado de energia é particularmente sensível a choques de oferta. A dificuldade em prever a duração e a intensidade do conflito no Oriente Médio contribui para um aumento do “prêmio” nos preços, refletindo a percepção de risco e a escassez temporária de petróleo.
Episódios como este levantam dúvidas sobre se o movimento observado nos mercados é apenas uma reação conjuntural, ou se representa um ciclo mais amplo de valorização.
Historicamente, em crises anteriores, o petróleo subiu mais de 300%, enquanto outros ativos alcançaram níveis ainda mais elevados. O analista Spiess acredita que a situação atual pode dar início a um ciclo de valorização estrutural, em vez de um fenômeno puramente circunstancial.
Isso significa que o impacto do conflito pode se estender por um período mais longo, afetando não apenas o mercado de energia, mas também outros setores da economia.
Para capturar as movimentações geradas pelo conflito geopolítico, um investimento específico se destaca. Este fundo reúne ativos preparados para se beneficiar da escassez de petróleo e da instabilidade global.
A Crise no Estreito de Ormuz e Seus Efeitos
A região do Estreito de Ormuz, localizada no Oriente Médio, é responsável por quase 20% do consumo mundial de petróleo. O conflito no Oriente Médio, e a consequente interrupção do fluxo de petróleo por essa rota, geram um efeito direto no mercado de energia, levando a mecanismos de compensação e a tentativas de redirecionar o fluxo de petróleo.
Enquanto parte do fluxo pode ser desviada por oleodutos alternativos, outro caminho é a liberação de reservas estratégicas. No entanto, a velocidade de injeção dessas reservas no mercado é limitada. Apesar dos esforços, o resultado é a reposição de apenas 7 a 7,8 milhões de barris de petróleo por dia – significativamente abaixo dos 20 milhões que atravessam Ormuz.
Matheus Spiess calcula que o mundo enfrenta um déficit estrutural de 12,6 a 13,4 milhões de barris por dia, equivalente a aproximadamente 13% do consumo global. Essa escassez, conhecida como “short”, impõe uma pressão considerável sobre os preços do petróleo e, consequentemente, sobre os combustíveis.
Além do impacto no mercado de energia, a crise no Estreito de Ormuz pode gerar inflação nos preços dos alimentos, especialmente no Brasil. Isso ocorre porque o problema não se limita ao petróleo, mas também afeta os fertilizantes, cuja importação também precisa cruzar a região de conflito.
Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Omã se consolidaram como fornecedores de fertilizantes nitrogenados desde 2020, atendendo também a Índia, Estados Unidos e países do Sudeste Asiático.
Um Novo Ciclo de Valorização das Commodities
Matheus Spiess pondera que o conflito no Estreito de Ormuz marca o início de um possível novo ciclo das commodities. A dinâmica desses ciclos é bem conhecida: geralmente começa com os metais preciosos, como o ouro, seguido pelos metais industriais, como o cobre, e, posteriormente, o setor de energia.
O setor agrícola costuma entrar em cena em uma fase mais tardia do processo.
O analista acredita que o movimento atual não é um fenômeno isolado, mas parte de um ciclo mais amplo de valorização das commodities. Esse ciclo se manifesta quando diferentes classes de ativos avançam de forma sequencial.
Fatores Adicionais e a Perspectiva de Investimento
O cenário global, marcado por tensões geopolíticas recorrentes, evidencia uma fragmentação do mundo, com situações de conflito que afetam a oferta de recursos naturais. Em um ambiente onde a segurança e a resiliência se tornam prioridades, o setor de energia, materiais e infraestrutura ganha relevância.
O analista Matheus Spiess destaca que, após um longo período de protagonismo das ações do setor de tecnologia, surge um novo espaço mais equilibrado, em que ativos relacionados a energias, materiais e infraestrutura se tornam componentes estruturais de um portfólio.
O aumento estrutural da demanda por commodities, combinado com um ambiente inflacionário mais persistente, reforça a atratividade de ativos ligados a recursos naturais.
Somado a isso, desde 2025 um ambiente de dólar globalmente mais fraco se instalou, o que torna razoável argumentar sobre a aproximação de um ponto de inflexão mais amplo nos mercados.
Neste cenário, cabe ao investidor incluir no portfólio ativos que historicamente se beneficiam de cenário de escassez e pressão sobre os recursos naturais.
