Consultor aponta crise na Venezuela e impacto na economia brasileira e global

Crise na Venezuela afeta indústria do petróleo e economia brasileira. Consultor Paulo Ricardo Bomfim destaca crise de confiança na PDVSA e sanções americanas

10/01/2026 14:02

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(Imagem de reprodução da internet).

A complexa situação geopolítica envolvendo a Venezuela transcende as questões diplomáticas, impactando diretamente a indústria do petróleo e, consequentemente, a economia brasileira. Segundo Paulo Ricardo Bomfim, consultor político e estrategista, a crise venezuelana reside em uma profunda crise de confiança e no funcionamento da indústria petrolífera do país.

Sanções e Restrições à PDVSA

As sanções impostas pelos Estados Unidos não eliminaram as reservas de petróleo da Venezuela. Contudo, criaram barreiras significativas para a operação da estatal PDVSA. As restrições bloquearam o acesso a recursos financeiros, tecnologia moderna e logística internacional, conforme detalha Bomfim.

Impacto na Produção e Economia Venezuelana

A falta de acesso legítimo a compradores e serviços gera dois efeitos negativos: a queda na produção real e a redução da receita do país. Sem recursos adequados, a infraestrutura sofre, com refinarias e plataformas se tornando obsoletas e investimentos em áreas como saúde, educação e serviços básicos sendo interrompidos. “Menos receita significa menos recursos para serviços básicos, menos manutenção de infraestrutura, menos emprego formal e mais pressão sobre a população”, ressalta o especialista.

Reflexos no Mercado Brasileiro

Apesar da proximidade geográfica, o Brasil não enfrenta desabastecimento de combustíveis, devido à importação de derivados e à manutenção de estoques adequados. No entanto, choques políticos afetam o preço internacional do petróleo e o câmbio, impactando os preços nas bombas brasileiras. “Notícias sobre possíveis compras de petróleo venezuelano pelos EUA reduziram o preço do barril, aumentando a oferta percebida no mercado global”, observa Bomfim.

Novos Parceiros Comerciais da Venezuela

Com as portas americanas fechadas, a Venezuela buscou novos compradores, como China, Índia e Rússia. A China, historicamente grande compradora, oscila entre o petróleo venezuelano e o de outros países sancionados. O mercado asiático busca óleo compatível e barato, mesmo que assuma riscos adicionais.

A Índia aproveita oportunidades quando o desconto compensa os desafios logísticos e legais. A Rússia, além do ganho econômico, se beneficia geopoliticamente, com o conflito entre Washington e Caracas fortalecendo alianças fora da órbita ocidental.

Consequências Humanas e Relevância Regional

A crise petrolífera tem consequências humanas significativas, com aumento da pobreza, migração em massa e uma economia baseada em improvisos. “É um país inteiro tentando sobreviver com a maior de suas riquezas sem conseguir extrair dela o que realmente poderia gerar para seu povo”, lamenta o consultor.

Para Bomfim, a situação transcende as fronteiras venezuelanas, reverberando na dinâmica de energia e preços na região, representando uma crise estrutural com impacto em milhões de pessoas.

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