Mercado de Cripto Transita para um Modelo Mais Seguro e Regulamentado
O setor de criptomoedas está passando por uma transformação significativa, impulsionada principalmente pela crescente regulamentação e pela sofisticação das fraudes digitais. O modelo de crescimento acelerado, que priorizava a aquisição rápida de novos usuários, está sendo substituído por uma estratégia focada em segurança, conformidade e confiabilidade.
De acordo com o relatório “State of the Crypto Industry 2026”, elaborado pela plataforma Sumsub, que realiza verificações de identidade, 74% das empresas do setor estão agora dando prioridade à conformidade regulatória e ao combate a fraudes, em detrimento da velocidade de expansão.
Essa mudança ocorre mesmo em um cenário de redução nas taxas de fraude. Globalmente, cerca de 2,2% das tentativas de verificação foram classificadas como fraudulentas entre 2024 e 2025, com uma queda de 7% na América Latina, onde a taxa de fraude atingiu 1,4% – uma das mais baixas do mundo.
No entanto, os ataques se tornaram mais complexos e sofisticados, utilizando inteligência artificial, engenharia social, identidades sintéticas e redes organizadas para atingir empresas do setor.
Aumento de Ataques e Mudanças no Padrão das Fraudes
Apesar da redução nos números, os ataques se tornaram mais sofisticados. Criminosos passaram a usar técnicas que combinam inteligência artificial, engenharia social, identidades sintéticas e redes organizadas para atingir empresas do setor. Segundo a Sumsub, há uma mudança no padrão das fraudes: em vez de ataques massivos, cresce a incidência de golpes mais direcionados e difíceis de detectar.
Dados de Fraudes Regionais
As taxas de golpes variam significativamente por região. Na Ásia-Pacífico, as taxas de golpes cresceram 65%, enquanto América do Norte (-38%) e América Latina (-7%) registraram queda.
Impacto das Fraudes
Mais de 55% das empresas de criptomoedas sofreram tentativas de fraude em 2025. Destes, 30% enfrentaram múltiplos incidentes ao longo do ano, enquanto 25% foram impactadas ao menos uma vez. Outro dado relevante é que 15% das empresas não sabem se foram alvo de ataques, indicando fragilidades nos sistemas de monitoramento.
Reforço em Segurança
Diante desse cenário, o reforço em sistemas de verificação e segurança se tornou prioridade, especialmente em mercados como o Brasil, onde a regulação avança rapidamente.
IA se Torna Peça-Chave no Combate a Fraudes
A sofisticação dos ataques tem levado empresas a investir mais em tecnologia. Segundo o relatório, 57% das companhias já priorizam ferramentas de detecção de fraude baseadas em inteligência artificial, enquanto 51% investem em plataformas avançadas de análise e monitoramento.
Esses avanços já começam a refletir nos resultados. A taxa global de verificações bem-sucedidas subiu para 94%, enquanto o tempo médio de verificação caiu 14%, indicando maior eficiência e menor fricção para usuários legítimos.
Brasil Ganha Destaque em Verificação Digital
O Brasil aparece como um dos mercados mais avançados na adoção de tecnologias de verificação, especialmente no modelo de documentless verification (verificação sem documentos físicos). Segundo o levantamento, o país possui a segunda maior velocidade desse tipo de verificação na América Latina, com taxa de sucesso de 95%, acima dos 93% registrados em processos tradicionais.
Esse avanço está diretamente ligado à evolução regulatória.
Novas Exigências e Desafios Regulatórios
Novas exigências do Banco Central, como a implementação da Travel Rule e medidas contra lavagem de dinheiro (Resolução BCB nº 520/2025), têm impulsionado o uso de sistemas mais robustos. A adaptação às regras globais também aparece como um dos principais desafios do setor.
Mais da metade das empresas já está preparada (23%) ou em processo de implementação (28%) da Recomendação 16 do GAFI (FATF), conhecida como Travel Rule.
Para Georgia Sanches, country manager da Sumsub no Brasil, o setor entrou em uma nova fase de maturidade. “O mercado cripto chegou a um estágio em que disciplina operacional e compliance são mais importantes do que o ritmo de expansão. Crescimento sustentável virá de empresas que colocarem a confiança no centro da sua infraestrutura”, afirma.
Ilya Brovin, Chief Growth Officer da empresa, destaca que a evolução regulatória exige mais do que novas regras. “A maturidade regulatória está diretamente ligada à qualidade dos sistemas. Plataformas que combinarem automação com controles robustos e transparência terão vantagem competitiva”, diz.
Com a integração entre áreas como experiência do usuário (UX) e compliance, o setor caminha para um modelo mais equilibrado entre crescimento e segurança. Nesse novo cenário do mundo cripto, a capacidade de prevenir fraudes, garantir rastreabilidade e atender exigências regulatórias passa a ser um diferencial competitivo, e não apenas uma obrigação.
