Novo Capítulo para o Mercado de Criptoativos
O mercado de criptoativos está passando por uma transformação significativa. Após anos de crescimento explosivo e muita disputa por usuários, o setor agora está focando em segurança, autenticação e conformidade regulatória. Essa é a principal conclusão do relatório “State of the Crypto Industry 2026”, elaborado pela Sumsub, que mostra um ambiente mais maduro, mas também mais complexo para as empresas que operam nesse setor.
O relatório destaca que, embora a taxa de incidentes não tenha aumentado significativamente, os ataques se tornaram mais sofisticados e difíceis de detectar.
Foco em Compliance e Segurança
De acordo com o estudo, 74% dos operadores de criptoativos priorizam o cumprimento das normas e o combate a fraudes, deixando em segundo plano a rapidez no cadastro de novos clientes. Essa mudança ocorre em um momento em que a indústria está enfrentando desafios mais complexos, como ataques cibernéticos avançados.
A América Latina, por exemplo, apresenta um índice de fraudes de 1,4%, um dos mais baixos do mundo, mas ainda exige atenção redobrada devido à evolução dos golpes, que agora são frequentemente apoiados por inteligência artificial, identidades sintéticas e redes organizadas.
A Complexidade da Segurança Cibernética
O ponto central do relatório é que a queda no volume de incidentes não significa um ambiente mais simples. A Sumsub acredita que o setor deixou de lidar com fraudes em massa para enfrentar ataques mais direcionados e sofisticados, o que exige sistemas de verificação e análise mais robustos.
Em 2026, 55% dos operadores de criptomoedas relataram tentativas de fraude contra seus sistemas, com 30% enfrentando múltiplos incidentes ao longo do ano e 25% sofrendo pelo menos um ataque. A incerteza sobre a detecção de fraudes também é alta, com 15% dos fornecedores consultados não tendo certeza se foram vítimas de ataques.
Investimentos em Detecção de Fraudes
Essa mudança de postura já se reflete nos investimentos das empresas. Mais da metade das empresas ouvidas pela Sumsub, 57%, prioriza ferramentas de detecção de fraude baseadas em inteligência artificial. Além disso, 51% estão investindo em plataformas avançadas de análise e monitoramento.
No Brasil, essa tendência é ainda mais evidente, impulsionada pelas novas exigências regulatórias, como a Travel Rule e as medidas para prevenir a lavagem de dinheiro.
Verificação Sem Documentos: Uma Tendência em Crescimento
Outro ponto destacado no relatório é a Verificação Sem Documentos, que se tornou uma das tendências mais relevantes para a indústria. No Brasil, essa tecnologia está ganhando espaço em paralelo ao endurecimento regulatório e ao esforço das plataformas para reduzir a burocracia no cadastro sem perder a eficiência em compliance.
A taxa de sucesso nesse modelo é de 95%, superando os 93% do onboarding tradicional com documentos de identidade. Além disso, a tecnologia contribui para ganhos operacionais em escala global, com uma taxa de verificações bem-sucedidas subindo para 94% e o tempo de verificação global diminuindo 14%.
Isso significa que mais usuários legítimos estão entrando nas plataformas com menos dificuldades.
Desafios da Travel Rule
Apesar dos avanços, a implementação da Travel Rule continua sendo um dos maiores desafios do setor. De acordo com o relatório, 23% das plataformas estão totalmente prontas para atender à recomendação, enquanto 28% estão em processo ativo de implementação.
Por outro lado, 43% ainda demonstram incertezas sobre o tema. A inteligência artificial está desempenhando um papel crucial na luta contra a fraude, e as plataformas que conseguirem resolver essa dinâmica terão uma vantagem significativa, com automação combinada a controles robustos, transparência e responsabilidade.
