CVM Aprofunda Investigação da Fraude Contábil da Americanas
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciou na última sexta-feira, 15 de janeiro de 2026, a abertura de dois novos inquéritos administrativos para aprofundar as investigações sobre a fraude contábil da Americanas (AMER3), que veio à tona em janeiro de 2023.
Essas apurações fazem parte de uma força-tarefa criada pela autarquia para identificar responsabilidades e apurar possíveis irregularidades envolvendo a companhia, que atualmente está em recuperação judicial.
Os dois novos inquéritos foram instaurados em 15 de janeiro de 2026 e estão focados em aspectos específicos da fraude. O primeiro deles investiga a atuação de bancos e seus administradores, que mantinham relações comerciais com a Americanas, suas antigas subsidiárias B2W e Lojas Americanas.
A investigação também se concentra nos intermediários e nos responsáveis pela emissão de valores mobiliários, com base em normas da CVM voltadas para o mercado de capitais.
O segundo inquérito analisa se membros dos conselhos de administração e fiscal, além de integrantes de comitês de assessoramento, cumpriram seus deveres na divulgação das informações financeiras da companhia. A CVM considera que a fraude foi complexa e intencional.
Além da abertura dos novos inquéritos, a CVM concluiu uma investigação iniciada em 2023 sobre as inconsistências contábeis da Americanas. A área técnica da autarquia chegou à conclusão de que não se tratava apenas de erros, mas sim de uma fraude elaborada para distorcer os resultados da empresa, apresentando demonstrações financeiras que não refletiam a realidade econômica da companhia e sustentando artificialmente preços mais altos para as ações ao longo dos anos.
Durante a apuração, a CVM analisou minuciosamente documentos, e-mails, mensagens de aplicativos e realizou inspeções na sede da Americanas. A investigação também utilizou ferramentas de análise de grandes volumes de dados e contou com o apoio de áreas técnicas especializadas da própria CVM.
Com a conclusão dessa fase, a CVM abriu um processo administrativo sancionador, no qual a Americanas e ex-executivos, administradores e conselheiros estão respondendo formalmente por infrações no mercado de capitais. As acusações incluem a divulgação de informações consideradas falsas ou insuficientes aos investidores, manipulação de preços das ações e descumprimento de deveres legais, como diligência e lealdade na administração da companhia.
Agora, conforme os procedimentos da CVM, os acusados terão a oportunidade de apresentar suas defesas antes do julgamento pelo colegiado da autarquia. Além dos novos inquéritos, a CVM continua investigando possível uso de informação privilegiada envolvendo ações e derivativos da Americanas, tanto por pessoas ligadas à empresa quanto por terceiros.
Há também processos administrativos sancionadores relacionados à divulgação de informações ao mercado e um procedimento específico para analisar a atuação da PwC, auditora da Americanas no exercício de 2021.
