Dívidas recorde no Brasil: Por que a queda da Selic não aliviou as famílias?

Dívidas recordes atingem 80,4% das famílias! Selic cai, mas o endividamento persiste. O que José Roberto Tadros alerta sobre o futuro? Clique e saiba mais!

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(Imagem de reprodução da internet).

Endividamento das Famílias Brasileiras: Apesar da Queda da Selic, Dívidas Continuam em Alta

O início do ciclo de queda da taxa Selic ainda não conseguiu aliviar significativamente o endividamento das famílias brasileiras. Dados recentes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que, em março, as dívidas atingiram um recorde, representando 80,4% das famílias.

Este número é superior aos 77,1% registrados no mesmo período do ano anterior.

Perspectivas de Endividamento e Pressões Inflacionárias

Apesar do afrouxamento monetário ter começado em março, José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, alerta que o endividamento deve seguir em trajetória de crescimento. Ele explica que será necessário um tempo considerável para que os efeitos do corte de juros cheguem ao consumidor final.

Impacto dos Juros e Custos de Vida

Segundo Tadros, a redução gradual dos juros ainda não foi suficiente para conter o aumento do número de famílias endividadas. A CNC também aponta que as incertezas inflacionárias, geradas por tensões globais, forçam o uso do crédito até mesmo para despesas básicas.

O estudo ressalta que o aumento nos preços do diesel e dos combustíveis eleva a incerteza inflacionária. Esse impacto logístico, por sua vez, repercute no custo das mercadorias, diminuindo o poder de compra da população.

Análise Detalhada dos Indicadores de Dívida

A pesquisa da CNC considera como dívidas todas as contas a vencer em diversas modalidades. Embora o endividamento tenha atingido um pico em março, houve uma pequena melhoria na proporção de pessoas que se classificam como “muito endividadas”, caindo de 16,1% em fevereiro para 16% em março.

Inadimplência e Comprometimento de Renda

O comprometimento da renda com dívidas apresentou uma queda modesta, passando de 29,7% para 29,6% em março. No quesito inadimplência, que mede dívidas em atraso, o percentual permaneceu estável em 29,6% em março, sem alterações em relação a fevereiro.

Contudo, ao comparar com março de 2025, o cenário de inadimplência mostra um agravamento. Naquele ano, o indicador havia registrado 28,6% dos brasileiros com débitos atrasados. Além disso, cerca de 12,3% dos brasileiros acreditam que permanecerão inadimplentes, um avanço em relação a fevereiro (12,6%) e um pior cenário comparado ao ano passado (12,2%).

Distribuição do Endividamento por Faixa de Renda

A análise da CNC também revelou que o aumento do endividamento em março foi mais concentrado nas camadas de renda mais elevadas, apesar dos percentuais estarem próximos entre as faixas. Na faixa de renda mais baixa, o endividamento manteve-se em 82,9% em março.

A classe média baixa registrou uma leve queda, ficando em 82,6%. Já o grupo que recebe entre cinco e dez salários mínimos viu suas dívidas piorarem, subindo de 78,7% para 79,2%. As famílias com renda superior a 10 salários mínimos tiveram um aumento, passando de 69,3% para 69,9%.

Um ponto de atenção é a inadimplência entre as rendas mais altas. Enquanto a maioria dos grupos viu suas dívidas em atraso diminuírem, as famílias que ganham entre cinco e dez salários mínimos ficaram mais inadimplentes, subindo de 21,7% em fevereiro para 22,1% em março.

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