Dólar perde domínio? Scandiuzzi explica por que o mercado ainda o sustenta em 2026

Dólar perde domínio? João Scandiuzzi alerta: alternativa global comparável ainda não existe. Entenda o porquê e o impacto para o Brasil!

17/04/2026 16:26

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(Imagem de reprodução da internet).

O Dólar Perderá o Domínio no Cenário Global? Análise de Especialista

O debate sobre o possível enfraquecimento do dólar no cenário internacional tem ganhado força após a recente queda em seu valor. No entanto, João Scandiuzzi, estrategista-chefe do BTG Pactual, acredita que para que isso ocorra, seria necessária uma alternativa com profundidade de mercado comparável, algo que, segundo ele, “hoje não existe”.

Em sua participação no evento VTEX Day, realizado em São Paulo entre os dias 16 e 17 de abril, Scandiuzzi detalhou que a importância da moeda norte-americana no sistema financeiro global está atrelada à robustez da economia dos Estados Unidos.

A Resiliência Econômica Americana Sustenta o Dólar

Ele explicou que a economia dos EUA continua a atrair capital mundial, mesmo em momentos de instabilidade. O mercado já previu recessões em diferentes ocasiões, seja com o aumento rápido das taxas de juros ou com choques recentes.

Apesar disso, a economia americana manteve um crescimento sólido, o que mantém o fluxo de capital concentrado no país. Esse movimento é potencializado por um novo ciclo de investimentos, notadamente em inteligência artificial.

O Fluxo de Capital e a Atração dos Ativos Americanos

A mobilização de centenas de bilhões de dólares para o setor de IA aumenta ainda mais o apelo dos ativos americanos. Esse fluxo ajuda a sustentar o dólar em patamares elevados, limitando chances de uma mudança estrutural no sistema financeiro global no curto prazo.

Scandiuzzi observou que, apesar das discussões sobre diversificação de reservas e tensões geopolíticas, o capital continua direcionado aos Estados Unidos. Ele reforçou que o dólar permanece sendo a principal referência global de liquidez e valor.

Implicações para Economias Emergentes

Para o estrategista, esse cenário mantém as condições financeiras globais mais restritivas, o que impõe desafios significativos para nações emergentes, como o Brasil. Estes países acabam sob pressão devido ao dólar forte e às taxas de juros elevadas no exterior.

Apesar do debate sobre a perda de protagonismo, a avaliação do BTG não aponta sinais concretos de ruptura no futuro próximo. Em abril, o índice DXY, que mede a força do dólar contra outras moedas, registrou uma desvalorização de 1,89%. Em relação ao real brasileiro, a queda foi de 3,9%, atingindo R$ 4,9902.

Oportunidades Táticas em Outros Mercados

Em relação aos investimentos, Scandiuzzi apontou que, embora o ambiente global favoreça os ativos americanos devido ao ciclo de tecnologia e aos grandes aportes, há oportunidades táticas em outros mercados. Ele avaliou que a recente correção, especialmente em empresas de tecnologia, tornou os múltiplos mais atrativos.

Ele comentou que houve uma compressão importante, e em alguns casos, empresas de crescimento negociando perto de setores mais tradicionais, o que, segundo ele, não parece sustentável no longo prazo.

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