O retorno ao trabalho presencial está se consolidando como uma estratégia central para empresas no Brasil. No entanto, a tendência não é uma volta completa ao modelo anterior, mas sim a adoção de modelos híbridos que combinam a presença física com a flexibilidade.
Essa mudança reflete uma nova abordagem das empresas em relação ao ambiente de trabalho.
O Escritório como Ferramenta de Cultura e Engajamento
Segundo Henrique Soares Melo, sócio da área trabalhista do NHM Advogados, o foco das empresas em relação aos escritórios mudou. “O escritório deixou de ser apenas um local de trabalho. As empresas buscam o presencial como ferramenta de cultura, engajamento e formação de lideranças”, afirma Melo.
Ele destaca que a convivência física acelera a colaboração e fortalece os valores organizacionais, especialmente durante a integração de novos funcionários. A flexibilidade, no entanto, é vista como essencial para atrair e reter talentos, evitando o afastamento de profissionais que valorizam a autonomia.
Resistência ao Retorno Integral
Um estudo do Núcleo de Estudos de Comportamento e Gestão de Pessoas do Insper revelou que o modelo híbrido é o padrão no Brasil, com significativa resistência dos trabalhadores a uma volta integral ao trabalho presencial. Os principais motivos são os custos financeiros reduzidos do trabalho remoto e a melhoria da qualidade de vida.
O trabalho remoto diminui gastos com transporte, alimentação e vestuário, além de proporcionar maior autonomia sobre a rotina. O retorno integral ao escritório é frequentemente interpretado como perda de flexibilidade e controle por parte das empresas, impactando diretamente a atração e retenção de talentos, especialmente entre profissionais mais jovens e da área de tecnologia.
O Escritório como Diferencial Competitivo
Gabriel Henrique Santoro, coordenador trabalhista do escritório Juveniz Jr Rolim Ferraz, ressalta que as empresas perceberam a importância de um modelo híbrido produtivo e atrativo. “Para o híbrido funcionar, os dias presenciais precisam ser produtivos e atrativos”, explica Santoro.
Ele destaca que a geração Z, acostumada ao trabalho remoto, exige ambientes que vão além da estrutura tradicional. “Boa cadeira e café não bastam. As empresas precisam criar espaços que tornem a ida ao escritório interessante”, diz Santoro.
Conclusão: Híbrido como o Futuro
Os especialistas concordam que o trabalho híbrido é o caminho natural para o futuro do trabalho no Brasil. O escritório continua relevante, mas com uma nova função: promover a convivência, a cultura e a troca de experiências, em um equilíbrio entre as necessidades das empresas e dos trabalhadores.
