Empresas Zumbis: Brasil lidera crise de “zombie lending” no mercado emergente
Empresas “zumbis” dominam o mercado brasileiro! Estudo aponta 13,9% de empresas com alta probabilidade de falência, superando média emergente. Analisa-se “zombie lending” e impacto na economia
Empresas Zumbis: Um Retrato do Mercado Brasileiro
O conceito de “empresas zumbis” surgiu nos anos 1980, a partir dos estudos do economista Edward Kane sobre bancos fragilizados. Refere-se a empresas que não conseguem gerar lucro suficiente para cobrir suas despesas financeiras, mas continuam operando graças a refinanciamentos recorrentes ou instrumentos legais que adiam um desfecho inevitável.
Esse fenômeno ganhou dimensão global, e o Brasil se destaca como um dos líderes entre os países emergentes nesse cenário.
Análise do Mercado Brasileiro
Um estudo publicado pela Revista Brasileira de Finanças analisou companhias abertas entre 2002 e 2021, revelando um dado preocupante: 13,9% delas apresentaram características típicas de zumbis ao longo do período. Esse percentual é significativamente superior à média dos países emergentes que compõem o índice MSCI Emerging Markets, estimada em 5,49%.
Outros países com altos índices de empresas zumbis incluem Malásia (11,8%), Turquia (11%) e Índia (10,49%), com Filipinas em 9,6%.
Identificação de Empresas Zumbis
Para classificar uma empresa como zumbi, a literatura econômica utiliza dois critérios principais: lucro insuficiente para cobrir as despesas financeiras de forma contínua e alta probabilidade de falência, conforme modelos estatísticos. No estudo citado, apenas empresas que apresentaram esse padrão por pelo menos três anos consecutivos, com base em dados da S&P Global Capital IQ e da Economática, foram consideradas zumbis.
Impactos e Dinâmica do Fenômeno
Um aspecto relevante é a diferença entre o número de empresas zumbis e os pedidos formais de recuperação judicial. Muitas empresas seguem operando sem recorrer ao Judiciário, conforme apontado em um estudo recente apresentado pelo economista Caio Szumanski em sua dissertação de mestrado, que analisou o período de 2010 a 2024.
Essa constatação indica o “zombie lending”, onde bancos optam por rolar dívidas de empresas inviáveis em vez de reconhecer perdas. Esse cenário sustenta uma sobrevida artificial, mantida pelo crédito.
Consequências e Desafios
As consequências das empresas zumbis vão além das demonstrações financeiras. Segundo Szumanski, elas investem cerca de 25% menos, inovam menos, operam com menor eficiência e entregam produtos de qualidade inferior. Esse impacto se espalha pela economia, comprometendo investimentos, elevando custos financeiros e enfraquecendo a dinâmica competitiva.
Em casos extremos, criam riscos sistêmicos para a alocação de crédito e para a produtividade do país.
Fatores Contribuintes e Desafios na Recuperação
O avanço das empresas zumbis não é exclusivo do Brasil, mas aqui ele se intensifica devido a fatores como juros estruturalmente elevados e um sistema de insolvência pouco eficiente. Mesmo após a modernização da legislação, a recuperação de crédito para os credores permanece baixa, com a recuperação de crédito para os credores permanece baixa.
Autor(a):
Redação
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