A principal questão que ecoava após a Quarta-feira de Cinzas e o término dos desfiles carnavalescos foi simples: quem se consagrou campeão no Carnaval de 2026? Em São Paulo, a resposta surgiu com uma disputa acirrada e um clima de decisão em cada nota da apuração.
A conversa que dominava os bastidores, no entanto, ia além do espetáculo, focando em um debate crucial: qual o volume de recursos públicos investidos na folia e como essa questão se tornou um tema político de grande relevância.
As Duas Pontas do Carnaval
Compreender as duas faces do Carnaval – o espetáculo vibrante e o complexo universo dos negócios que o sustentam – era fundamental. A disputa pelo título, a escolha da escola vencedora e a análise dos investimentos financeiros revelavam a dinâmica de um evento que transcende a simples celebração.
A Conquista da Escola de São Paulo
A Escola de São Paulo, com uma vitória apertada, conquistou o 13º título, com uma pontuação de 269,8 pontos. A disputa foi acirrada, com a Gaviões da Fiel (269,7 pontos) e a Dragões da Real (269,6 pontos) fechando a disputa nos degraus do pódio.
O enredo campeão, “Malunga Léa: Rapsódia de uma deusa negra”, homenageou a atriz Léa Garcia.
Rebaixamento e Desfile das Campeãs
As escolas Rosas de Ouro e Águia de Ouro ficaram nas últimas posições, resultando em seu rebaixamento para o Grupo de Acesso 1. O Desfile das Campeãs, realizado em 21 de fevereiro, serviu como uma reapresentação, sem critérios de avaliação, e atraiu grande público, mídia e ativações que prolongaram o impacto do evento.
Investimento Federal e Debate Político
Enquanto a apuração em São Paulo chegava ao fim, um levantamento revelou um investimento significativo: as festas de Carnaval de 2026 receberam pelo menos R$ 85,2 milhões em recursos federais, provenientes de emendas parlamentares e patrocínios de órgãos ligados ao governo.
Esse valor gerou um intenso debate político, especialmente em um ano pré-eleitoral, onde as emendas parlamentares ganham destaque como vitrines para os políticos.
Patrocínios e Restrições
Os patrocínios, liderados pela Caixa e Embratur, revelaram o volume de investimento. A discussão também se estendeu a restrições em homenagens a autoridades públicas em eventos financiados com recursos federais, com um projeto de lei do senador Bruno Bonetti (PL-RJ) buscando vedar o uso de recursos públicos em eventos que promovam “exaltação personalizada” de agentes públicos.
