EUA buscam controle do petróleo venezuelano para reconstruir economia e setor

EUA buscam controle do petróleo venezuelano para estabilizar economia e reconstruir setor, detalha Chris Wright em Miami. Acordo prevê US$ 2 bilhões em vendas iniciais

08/01/2026 15:51

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(Imagem de reprodução da internet).

Os Estados Unidos buscam exercer controle contínuo sobre as vendas e a receita provenientes do petróleo venezuelano, visando estabilizar a economia do país e promover a reconstrução de seu setor petrolífero. Essa estratégia foi detalhada pelo secretário de Energia norte-americano, Chris Wright, em uma conferência em Miami, conforme divulgado nesta quarta-feira (7).

Alavancagem e Mudanças na Venezuela

Wright enfatizou a necessidade de possuir “alavancagem” e controle sobre as vendas de petróleo para impulsionar as mudanças necessárias na Venezuela. Essa declaração reflete a importância estratégica que o petróleo bruto tem na política do presidente dos EUA, Donald Trump, especialmente após a deposição do líder Nicolás Maduro, ocorrida em um ataque a Caracas no último sábado (3).

Utilização das Receitas e Compensações

O secretário explicou que os recursos obtidos com as vendas de petróleo seriam, inicialmente, destinados ao ressarcimento de grandes empresas norte-americanas, como Exxon Mobil e ConocoPhillips, que tiveram seus ativos nacionalizados pelo ex-presidente Hugo Chávez há quase duas décadas.

A Venezuela, apesar de possuir as maiores reservas de petróleo do mundo, atualmente representa apenas cerca de 1% da oferta global, devido a décadas de subinvestimento que impactaram sua capacidade produtiva.

Supervisão e Perspectivas

Em entrevista ao The New York Times, Trump afirmou que “só o tempo dirá” por quanto tempo os EUA manterão a supervisão sobre a Venezuela. Questionado sobre a duração, ele respondeu: “Eu diria muito mais tempo”. O presidente expressou a intenção de “reconstruir a Venezuela de forma lucrativa”, ao mesmo tempo em que fornece recursos ao país, que “precisa desesperadamente disso”.

Trump também destacou o bom relacionamento com a presidente interina Delcy Rodríguez.

Primeiras Vendas e Acordos

Wright revelou que os EUA já iniciaram a comercialização do petróleo venezuelano armazenado, com planos de vender a produção futura, inclusive para refinarias norte-americanas adaptadas para processá-lo. As receitas seriam depositadas em contas controladas pelo governo dos EUA.

O Departamento de Energia (DoE) informou que “os principais comerciantes de commodities e bancos globais” foram contratados para executar as operações e oferecer suporte financeiro. Na terça-feira, Washington anunciou um acordo com Caracas para exportar inicialmente até US$ 2 bilhões em petróleo bruto para os EUA, sinalizando que o governo venezuelano está atendendo às exigências de Trump de abrir o setor às empresas norte-americanas, sob risco de uma intervenção militar maior.

Negociações e Mercado

Wright mencionou que o país possui recursos imensos e deveria ser uma potência energética rica, próspera e pacífica. Ele detalhou que já negocia com empresas norte-americanas condições para que elas invistam na Venezuela e ampliem a produção a longo prazo.

A estatal PDVSA confirmou que avança nas negociações com os EUA. Segundo o conselheiro Wills Rangel, os norte-americanos terão de pagar preços internacionais para adquirir o petróleo venezuelano. O mercado reagiu à notícia, com ações de refinarias como Marathon Petroleum, Phillips 66 e Valero Energy registrando alta entre 2,5% e 5%.

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