Ex-diretores do Banco Central preveem virada na economia brasileira e alertam sobre Selic
Ex-diretores do Banco Central, Bruno Serra e Rodrigo Azevedo, alertam para ponto de virada na economia brasileira e defendem ajuste fiscal urgente.
Perspectivas Econômicas: Um Ponto de Virada
Dois ex-diretores do Banco Central, Bruno Serra e Rodrigo Azevedo, reuniram-se para analisar o cenário econômico brasileiro, à medida que uma importante decisão de política monetária se aproxima. Ambos concordam que o país está em um ponto crucial, onde soluções temporárias e promessas vazias não são mais viáveis.
A visão deles é que o futuro da economia brasileira é binário, dependendo da implementação de um ajuste fiscal consistente ou da repetição de estratégias passadas.
Ser Serra, atualmente portfolio manager da Itaú Asset, e Rodrigo Azevedo, fundador da Ibiúna Investimentos, destacam a necessidade de um ajuste fiscal robusto, capaz de reduzir os riscos estruturais do país, aliviar o prêmio exigido pelos investidores e permitir que a taxa Selic encontre um patamar mais baixo e sustentável.
Por outro lado, eles alertam para o perigo de continuar com a estratégia de adiar decisões difíceis e torcer para que o mercado continue comprando promessas. A consequência, segundo Azevedo, é o ajuste forçado, através do aumento das taxas de juros e da perda de confiança.
A avaliação dos gestores é que a estratégia de administrar as contas públicas com soluções temporárias chegou ao limite. Ao longo de diferentes governos, o país recorreu a arranjos provisórios, consumindo gradualmente a credibilidade. O resultado é um quadro em que a conta de juros já supera 9% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o déficit nominal caminha para os dois dígitos.
Para eles, o mercado já não aceitará mais promessas vazias na virada para 2027, pois a confiança é um fator crucial.
Apesar da expectativa em torno da decisão do Copom de amanhã (28), os dois ex-diretores do BC não acreditam em cortes imediatos. O consenso é que o início do ciclo de afrouxamento deve ficar para março, e não para a reunião que se encerra nesta quarta-feira (28).
Serra aposta em um primeiro corte de 0,50 ponto percentual, seguido por duas reduções consecutivas de 0,75 ponto. Com a inflação acumulada em 12 meses projetada em 3,2% para março, manter a Selic em 15% “perde o sentido”, segundo ele. Rodrigo Azevedo também vê espaço para o início do afrouxamento em março, mas partindo de um corte inicial de 0,25 ponto.
Se o curto prazo parece relativamente bem mapeado, o médio e o longo prazo concentram as maiores incertezas quanto ao cenário político e econômico brasileiro. Para Serra, se o ajuste fiscal continuar baseado majoritariamente em aumento de receitas, os juros estruturais do país seguirão elevados.
Nesse ambiente, mesmo com inflação comportada e crescimento modesto, a Selic tenderia a se estabilizar perto de 10%. Mas, segundo o economista, o cenário muda radicalmente se houver um corte efetivo de gastos.
Autor(a):
Redação
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