Corte de Juros: Especialista Defende Afrouxamento Gradual
Enquanto o Copom parece hesitar em relação a um corte mais agressivo nas taxas de juros, Felipe Guerra, fundador e CIO da Legacy, apresenta uma visão diferente. Ele acredita que o Banco Central deveria iniciar um ciclo de afrouxamento, mesmo que de forma gradual, com um corte inicial de 0,25 ponto percentual na Selic.
Guerra argumenta que a economia não precisa de juros caindo rapidamente, mas sim de uma calibragem para reduzir o patamar elevado que atualmente está estabelecido.
O gestor acredita que há espaço para um ajuste de 0,25 ponto percentual, especialmente considerando a recente valorização do real em relação ao dólar. Ele destaca que o comportamento do câmbio deveria ter um peso maior nas decisões de política monetária.
Guerra projeta que, com esse movimento, o ciclo de cortes poderia somar até 450 pontos-base, levando a Selic para 10,5% ao ano, abaixo das projeções atuais do mercado.
Análise do Cenário Externo e Risco de Bolha
Guerra adota uma postura cautelosa em relação à bolsa brasileira, preferindo se manter à margem do mercado de ações locais. Ele considera que eleições, ruídos institucionais e debates políticos internos têm um peso secundário no momento, enfatizando que o fluxo estrangeiro é o fator determinante.
Ele sugere pensar como um investidor estrangeiro, evitando ficar contra o fluxo de capital.
O gestor alerta para o risco de uma bolha na bolsa brasileira, especialmente considerando a dependência excessiva do capital estrangeiro. Ele ressalta que o investidor local ainda está de fora do mercado, e que uma pausa no fluxo estrangeiro pode levar a uma queda rápida na bolsa.
Posições da Legacy e Genoa Capital
A Legacy, empresa de Guerra, mantém posições vendidas em dólar contra o real, aproveitando o carrego do câmbio, e aplica em juros nominais e reais, apostando em uma queda maior das taxas do que aquela precificada pelo mercado. Já a Genoa Capital, liderada por Raduan, mantém cerca de 70% de sua posição otimista no câmbio, apostando na assimetria favorável da moeda brasileira.
Enquanto a Legacy se mantém cautelosa, a Genoa Capital mantém um viés comprado em bolsa brasileira, reconhecendo que os ativos globais estão inflados por políticas expansionistas de dívida. Ambos os gestores concordam que o comportamento das commodities, dos juros globais e do apetite ao risco lá fora são fatores cruciais a serem monitorados.
Conclusão: Aposta em Ajuste Gradual e Monitoramento do Fluxo Estrangeiro
Diante do cenário atual, Felipe Guerra defende um ajuste gradual nas taxas de juros, com foco no monitoramento do fluxo estrangeiro e na assimetria do câmbio. A Legacy, sob sua liderança, adota uma postura conservadora, buscando proteger seus investimentos em um ambiente de incerteza e dependência do capital externo.
