FGC Enfrenta Déficit e Crise no Sistema Financeiro em 2025
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) concluiu o ano de 2025 com desafios significativos, marcados por um déficit considerável e uma atuação intensa para proteger o sistema financeiro brasileiro. O ano foi especialmente turbulento devido à liquidação do Banco Master e a uma das maiores operações de suporte de garantia da história da entidade.
O relatório anual divulgado em 28 de dezembro revelou que o patrimônio líquido do FGC atingiu R$ 123,2 bilhões, mesmo com um déficit de R$ 17,1 bilhões, decorrente da provisão para o pagamento de garantias a credores.
A liquidez do fundo, por sua vez, somou R$ 123,4 bilhões. A situação se agravou com a necessidade de intervenção no conglomerado Banco Master, que enfrentava sérios problemas de liquidez. Em maio, o FGC iniciou uma operação de suporte, permitindo o pagamento de credores através da emissão de letras financeiras, com um total de R$ 5,7 bilhões emitidos até o final de 2025.
Operação de Suporte e Teste de Estresse
A crise envolvendo o Banco Master representou um “teste de confiança” para o FGC, recebendo o maior reconhecimento da sociedade brasileira em relação à efetividade da garantia. A estratégia de emissão de letras financeiras visava minimizar perdas maiores, evitando uma liquidação imediata que poderia ter consumido grande parte do caixa do fundo.
O diretor-presidente, Daniel Lima, destacou que o ano de 2025 foi o mais desafiador, com a iminência de problemas de liquidez no conglomerado Master.
Liquidações e Impacto nas Reservas
A crise se intensificou com a liquidação extrajudicial de instituições do grupo, incluindo Banco Master, Master de Investimentos e Letsbank, gerando a necessidade de provisionar R$ 40,6 bilhões para o pagamento de garantias. Adicionalmente, surgiram novas liquidações envolvendo Will Bank e Banco Pleno, elevando o total de provisões para R$ 51,8 bilhões.
As exposições diretas do FGC, por meio de empréstimos, somaram R$ 2,878 bilhões ao Banco Master, R$ 1,824 bilhões ao Will Bank, R$ 801 milhões ao Banco Pleno e R$ 291 milhões à Master de Investimentos.
Pagamentos e Recuperação do Fundo
Apesar do volume elevado, o pagamento aos credores avançou rapidamente, com cerca de R$ 49 bilhões desembolsados para quase 870 mil pessoas, representando 94,5% do total previsto. A velocidade na liberação dos recursos foi crucial para evitar impactos mais amplos no sistema financeiro e preservar a confiança dos investidores.
O FGC recebeu uma antecipação de contribuições das instituições associadas, no valor de R$ 32,2 bilhões, equivalente a 60 meses de aportes, buscando recompor parte das reservas.
Indicadores e Desempenho Financeiro
Com os impactos das liquidações e a recomposição das reservas, o fundo estima que seu patrimônio líquido ficaria em torno de R$ 112 bilhões, enquanto a liquidez seria de aproximadamente R$ 103 bilhões, equivalente a 1,86% dos depósitos elegíveis.
O movimento evidenciou a pressão sobre os indicadores, com o regulamento do FGC prevendo uma liquidez mínima de 2,5% dos depósitos elegíveis. Apesar da turbulência, os números operacionais mostraram expansão, com os depósitos elegíveis à garantia somando R$ 5,53 trilhões em 2025, ante R$ 5 trilhões em 2024.
Do total, R$ 2,65 trilhões estavam dentro dos limites de cobertura do FGC, enquanto, em termos de contas, 99,65% estavam totalmente cobertas. Os depósitos a prazo ganharam espaço, representando 58,7% do total, após crescimento anual de 11,81%. O resultado dos investimentos alcançou R$ 21,8 bilhões, mais que o dobro do registrado no ano anterior, com rentabilidade equivalente a 99,39% da Selic média.
As contribuições das instituições associadas somaram R$ 6,3 bilhões.
