Após o pagamento de cerca de R$ 50 bilhões em reembolsos aos investidores do Banco Master e do Will Bank, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) enfrenta um desafio crucial: recompor suas reservas. O conselho de administração do fundo está reunido nesta semana para analisar um plano que visa determinar como cada instituição financeira contribuirá e em qual prazo.
A proposta, conforme divulgado pelo jornal O Globo, envolve a antecipação das contribuições ordinárias dos associados do FGC, abrangendo o período de 2026 a 2028, além da exigência de uma contribuição extraordinária.
Desafios e Impacto Financeiro
A medida de antecipar as contribuições ordinárias busca solucionar o problema de curto prazo, mas gera uma preocupação: a falta de novas entradas regulares de recursos pode criar um vazio financeiro no futuro. Caso o reforço não seja suficiente, os bancos podem enfrentar um aumento de até 50% no valor que atualmente repassam ao FGC, que atualmente está fixado em 0,012% do patrimônio líquido de cada instituição.
Discussões com o Banco Central
Diante da situação, os bancos estão em negociações com o Banco Central, buscando direcionar parte dos depósitos compulsórios – que já são repassados ao BC – para fortalecer a liquidez do FGC. Essa estratégia visa proteger o caixa das instituições financeiras.
A discussão envolve todos os 250 bancos e instituições financeiras associados ao FGC, que devem contribuir para esse esforço de fortalecimento do caixa do fundo.
Situação Atual e Garantias do FGC
Atualmente, a conta do FGC já totaliza cerca de R$ 41 bilhões, devido aos reembolsos ao Banco Master e ao Will Bank. Com a liquidação extrajudicial do Banco Will Bank, o desembolso estimado sobe para aproximadamente R$ 50 bilhões. A complexidade da situação tem gerado discussões até mesmo em conferências sobre os resultados trimestrais dos grandes bancos brasileiros.
Cobertura do FGC e Impacto nos Clientes
O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, abrangendo todos os depósitos e créditos contemplados em cada instituição ou conglomerado prudencial associado. Em casos de quebra de mais de uma instituição em um período de quatro anos, existe um teto de R$ 1 milhão garantido.
Instrumentos Cobertos pelo FGC
Os instrumentos cobertos pelo FGC incluem, entre outros, a poupança, o Certificado de Depósito Bancário (CDB), a Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), conforme o regulamento do fundo.
