Crise no Sistema Financeiro: FGC Enfrenta Maior Resgate na História
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) está lidando com um cenário inédito em sua história. O mecanismo de proteção aos investidores e correntistas, criado para mitigar os impactos de falências bancárias, foi acionado em grande escala. A quebra do Banco Master, com um rombo de cerca de R$ 40 bilhões, representa o maior resgate na história do fundo.
Além do Banco Master, os bancos Will Bank e Banco Pleno também solicitaram recursos do FGC, totalizando aproximadamente R$ 50 bilhões. Esse volume é significativamente maior do que o impacto histórico do Banco Bamerindus em 1997, que demandou apenas R$ 3,7 bilhões (corrigido pela inflação, superaria os R$ 20 bilhões de hoje).
A magnitude da situação levanta questionamentos sobre a sustentabilidade do modelo atual.
“O que chama atenção é o tamanho do rombo. Isso é inusitado. As crises anteriores não chegaram nem perto de 20% desse valor. O tamanho é, de fato, novo”, afirma Jairo Saddi, em entrevista ao Money Times. Saddi, advogado, árbitro e pós-doutor pela Universidade de Oxford, já foi conselheiro e ocupou a vice-presidência e a presidência do FGC entre 2014 e 2017.
Risco Sitemico, mas com nuances Apesar da magnitude, Saddi não vê risco sistêmico. Ele lembra que há muitos poupadores pequenos e médios envolvidos, mas parte relevante dos investidores conhecia o risco e buscava remuneração elevada – CDBs que chegavam a 140% do CDI –, confiando justamente na cobertura do FGC, que garante até R$ 250 mil por CPF e por instituição.
Modelo em Debate O modelo de contribuição do FGC é horizontal: todos os bancos pagam percentualmente de forma semelhante. A discussão é se instituições menores ou mais alavancadas deveriam contribuir com mais. Mas, segundo ele, a solução não é tão simples. “Criar um sistema ponderado por risco é extremamente complexo. Como avaliar ativos com precisão? Não é trivial.”
Transparência como Solução Para evitar novos episódios, Saddi defende mais transparência. “É fundamental dar mais visibilidade a indicadores técnicos de liquidez e solvência. Informação é o melhor desinfetante em qualquer sistema.”
