A Ascensão e Queda da Fictor em 2025 e 2026
Em 2025, o Grupo Fictor surgiu como uma potência em ascensão, um retrato de ambição e potencial no mercado de proteína animal. A marca estampava o uniforme do Palmeiras, sua subsidiária, a Fictor Invest, estava listada na B3 sob o ticker FICT3, e a empresa emitia cartões de crédito premium com a bandeira American Express.
A holding, liderada por um discurso ambicioso, almejava entrar para o clube das dez maiores potências de proteína animal do Brasil até 2030. A imagem que a Fictor projetava era a de uma empresa em expansão, pronta para se consolidar como um player importante no setor.
Os discursos dos investidores da Fictor eram marcados por planos ambiciosos de crescimento. A empresa se apresentava como um ecossistema de investimentos diversificado e sustentável, com projetos robustos nos segmentos imobiliário e de energia, projetando receitas futuras superiores a R$ 1,8 bilhão.
Para financiar essa expansão, a Fictor utilizava o modelo de Sociedades em Conta de Participação (SCPs), uma estratégia comum no agronegócio, que permitia a empresa captar recursos de investidores e participar de projetos específicos.
A Expansão e os Primeiros Desafios
Em 2024, a Fictor deu um passo importante na consolidação de sua marca com a aquisição da Atom Participações, empresa de educação financeira, que passou a se chamar Fictor Alimentos (FICT3). A empresa também lançou a FictorPay, sua aposta no segmento de tecnologia financeira, e fechou um contrato de publicidade com a Orbitall, responsável pelo processamento de cartões da FictorPay, gerando R$ 30 milhões por ano e estampando a marca na frente e nas costas das camisas do Palmeiras.
O Colapso e a Recuperação Judicial
No entanto, a trajetória de sucesso da Fictor foi abruptamente interrompida em novembro de 2025, quando a empresa anunciou a compra do Banco Master por R$ 3 bilhões. O movimento, que surpreendeu o mercado, foi seguido pela operação da Polícia Federal e pela liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central.
A associação entre a Fictor e o colapso do Master gerou suspeitas e críticas, contribuindo para a perda de confiança dos investidores e a queda acentuada das ações da empresa.
A Crise de Liquidez e o Pedido de Recuperação Judicial
A crise se agravou com a corrida dos investidores que buscaram retirar seus recursos das SCPs, resultando em uma perda de 71,38% do capital aportado. A disputa judicial com a Orbitall, que bloqueou R$ 150 milhões nas contas da FictorPay, e a pressão dos credores levaram a empresa a entrar com um pedido de recuperação judicial em novembro de 2026, buscando um “stay period” para proteger seu patrimônio e reestruturar suas operações.
Conclusão
A história da Fictor em 2025 e 2026 serve como um alerta sobre os riscos e desafios do mercado financeiro, bem como a importância da gestão de riscos e da construção de uma reputação sólida. Apesar da crise, a empresa ainda mantém a esperança de uma recuperação, buscando renegociar suas dívidas e reestruturar suas operações para voltar a crescer e se consolidar como um player relevante no setor.
