Fundos de Investimento sofrem com “risco Trump” e tensão no Oriente Médio? Veja o impacto!

Fundos de Investimento sofrem com o “risco Trump” e tensão no Oriente Médio. Saiba por que o posicionamento estratégico falhou!

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(Imagem de reprodução da internet).

Fundos de Investimento Sentem Impacto com Mudança no Cenário Global

Após um início de ano promissor para a bolsa brasileira, os fundos de investimento que apostavam em uma queda mais acentuada da Selic viram o cenário mudar drasticamente. O chamado “risco Trump“, somado à crescente tensão no Oriente Médio, reacendeu a busca por ativos mais seguros.

Esse movimento gerou consequências imediatas, como a reprecificação dos juros em nível global e o fortalecimento do dólar. Carteiras posicionadas para um ambiente mais tranquilo sofreram perdas significativas. Alguns fundos multimercados caíram mais de 10% em apenas um mês, um desempenho considerável para uma classe que geralmente busca navegar diferentes cenários com maior proteção.

Análise Profissional: O Erro de Posicionamento no Mercado

Para Lais Costa, analista da Empiricus Research, o principal equívoco foi o posicionamento estratégico. Ela aponta que houve uma quebra estrutural nos mercados devido ao início de conflitos entre Estados Unidos, Irã e Israel.

“A natureza dessa guerra foi totalmente oposta aos posicionamentos adotados. Observamos uma aversão a risco muito forte”, afirmou Lais Costa durante o podcast Touros e Ursos desta semana. Segundo ela, a crise trouxe uma dinâmica inflacionária inesperada, especialmente vinda do setor de petróleo, alterando o fluxo mundial de capitais.

Inflação e Fluxo de Capitais

A aversão ao risco foi impulsionada pela quebra da expectativa de inflação em queda, principalmente devido à questão do petróleo. Houve um fluxo de capital retornando aos Estados Unidos, em contraste com o que se esperava, resultando em um DXY mais forte.

Isso desestrutura o cenário que era favorável a moedas emergentes.

Em resumo, a expectativa de queda de juros, que era um pilar dos multimercados, perdeu força diante desses novos fatores econômicos.

Perspectivas de Inflação e Política Monetária

O pano de fundo dessa mudança é a inflação, e o mercado já começou a revisar projeções para patamares mais altos. Conforme o Boletim Focus divulgado na segunda-feira (6), há sinais de alerta.

No entanto, Lais Costa acredita que o risco inflacionário é ainda maior. Ela pondera que a inflação está mais próxima de 5% do que de 4,5% neste ano, um cenário que pressiona diretamente a política monetária.

Cortes na Selic: Cautela e Pausa no Radar

Com o cenário de guerra no Irã, o mercado passou a prever cortes mais cautelosos na taxa Selic. A expectativa atual é de reduções de 0,25 ponto percentual (pp) por reunião, o que representa metade do ritmo esperado antes da deterioração do cenário externo.

A analista projeta a taxa básica em 13% ao final do ano, mas não descarta uma pausa no ciclo de cortes. Embora tecnicamente haja espaço para o Banco Central pausar, as falas recentes indicam que os diretores tendem a manter os cortes, ainda que de maneira mais gradual.

Alerta no Crédito Privado e Destaques de Mercado

Se os fundos já sentiram o impacto, o alerta agora se volta para o crédito privado. Embora juros altos beneficiem a renda fixa tradicional, o efeito sobre empresas com dívidas tende a ser negativo. “Os spreads estão muito baixos, as empresas já mostram sinais de dificuldade e os juros não têm mais a mesma perspectiva de queda.

O cenário de crédito está estranho”, alerta a analista.

O impacto nesse setor deve ser mais lento, mas persistente. Ela compara o crédito a um transatlântico, dizendo que, mesmo que os conflitos terminem, o efeito sobre essa classe de ativos demora mais para ser absorvido pelo mercado.

No programa, a Hapvida (HAPV3) foi destaque negativo (urso), devido a questionamentos de uma gestora sobre decisões passadas e propostas de desinvestimento. Por outro lado, os títulos indexados à inflação de longo prazo foram apontados como oportunidades relevantes para investidores de longo prazo.

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