Fusão Nuclear: “Sol Artificial” da China Promete Energia, Mas Ainda Tem Distância da Realidade

“Sol Artificial” em Teste: Inovação Chinesa Busca Energia Ilimitada!
Pesquisadores chineses avançam com o projeto EAST, um experimento de fusão nuclear de alto investimento (US$ 1,8 bilhão) que busca replicar o sol na Terra. Será que a tecnologia é viável? Descubra!

07/02/2026 13:42

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(Imagem de reprodução da internet).

A Busca por um Sol Artificial: Um Caminho Promissor, Mas Ainda Distante da Comercialização

Inspirados no próprio sol, pesquisadores chineses estão explorando a possibilidade de reproduzir o funcionamento do astro rei na Terra, buscando uma fonte quase ilimitada de energia. O projeto, conhecido como EAST – Experimental Advanced Superconducting Tokamak – é um dos experimentos de fusão nuclear mais avançados do mundo, operando desde 2006.

A ideia central é simples: combinar núcleos de hidrogênio para formar átomos de hélio, liberando grandes quantidades de energia nesse processo, assim como acontece no interior das estrelas.

No entanto, colocar um “sol artificial” em funcionamento é um desafio considerável. O EAST acumulou investimentos de mais de US$ 1,8 bilhão ao longo de duas décadas. A questão que emerge é se essa tecnologia pode ser escalada e competir no mercado global de geração de energia.

Um estudo publicado na revista Energy Policy analisou essa questão, buscando entender a viabilidade econômica e técnica do projeto.

Como Funciona a Fusão Nuclear e Seus Desafios

A fusão nuclear, diferente da fissão tradicional (associada a riscos históricos como o de Chernobyl), não envolve reação em cadeia descontrolada. Em caso de falha, o processo se interrompe sem explosões ou liberação de material radioativo, tornando-se uma fonte de energia limpa, segura e com resíduos de curta duração.

Além disso, a fusão pode operar continuamente, ao contrário de fontes como solar, eólica e hidrelétrica, que dependem de condições climáticas.

O principal desafio reside em alcançar temperaturas superiores a 100 milhões de graus Celsius para forçar os núcleos a se fundirem. Além disso, o plasma superaquecido e instável precisa ser mantido confinado por campos magnéticos, sem contato físico, por tempo suficiente para gerar mais energia do que consome.

O EAST já demonstrou a viabilidade desse confinamento, quebrando o chamado limite de Greenwald, um marco teórico que indica maior densidade do plasma sem perda de estabilidade, e sustentando o plasma por 1.066 segundos.

A Conta Ainda Não Fecha: Viabilidade Econômica e Desafios Operacionais

Apesar dos avanços, um ponto crucial ainda não foi ultrapassado: o limiar em que a fusão gera mais energia do que consome. Para avaliar a viabilidade econômica, um estudo da Energy Policy, conduzido por pesquisadores de diversas universidades, utilizou simulações.

A resposta foi cautelosa: talvez sim, mas não nas condições atuais, e não tão cedo.

Para competir no mercado de eletricidade, a fusão precisaria de um custo entre US$ 80 e 100 por megawatt-hora (MWh), o mesmo patamar esperado para a nuclear por fissão. No entanto, os modelos econômicos indicam que as usinas de fusão teriam um custo acima de US$ 150/MWh.

Esse valor é significativamente maior do que o de outras fontes limpas já consolidadas, como solar e eólica.

Além dos desafios tecnológicos, a fusão enfrenta obstáculos econômico-operacionais, como manutenção custosa e ciclos térmicos pouco eficientes. Apesar disso, os pesquisadores não parecem pessimistas. A conclusão do estudo é que a fusão não deve ser vista como uma solução rápida, mas como um programa industrial de longo prazo, que exige padronização, escala e décadas de desenvolvimento coordenado entre setores público e privado.

O mercado demonstra interesse nesse horizonte, com projeções de aportes superiores a US$ 350 bilhões até 2050.

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