A Gafisa (GFSA3) continua a remodelar sua estrutura de gestão em um momento de intensas transformações no mercado imobiliário de alto luxo. Em um movimento que reflete a busca por uma nova direção estratégica, a construtora anunciou nesta terça-feira (10) mais uma mudança significativa em sua governança corporativa.
Mariana Barreto Rezende de Oliveira, que exercia o cargo de presidente do conselho de administração e conselheira da empresa, renunciou a suas funções.
Essa saída marca o encerramento de uma trajetória profissional longa e intrinsecamente ligada ao empresário Nelson Tanure, atualmente no centro de investigações envolvendo a companhia. Segundo informações do colunista Lauro Jardim, do O Globo, a executiva trabalhou em estreita colaboração com Tanure desde os tempos em que ele controlava as Indústrias Verolme-Ishibrás, uma relação que se estendeu por diversas empreitadas empresariais.
Para assumir a liderança do conselho, o grupo elegeu Eduardo Larangeira Jácome como novo membro e presidente (chairman). Jácome possui uma trajetória consolidada na empresa, tendo anteriormente ocupado o cargo de presidente do conselho em diferentes ocasiões.
Ele acumula mais de 50 anos de experiência em planejamento, estruturação e gestão empresarial, conforme divulgado pela Gafisa.
Novos Lideres na Cúpula Executiva
A mudança no comando do conselho não representa um evento isolado. Nas últimas semanas, a Gafisa promoveu uma série de alterações em sua cúpula executiva. Após o término do mandato de Sheyla Resende, Luis Fernando Ortiz foi eleito para assumir o cargo de CEO.
Ortiz, engenheiro civil de formação, possui uma trajetória de aproximadamente 14 anos na Gafisa, com atuação nas áreas de incorporação e novos negócios. A construtora destaca que ele traz “vasta experiência” no setor imobiliário, complementada por uma pós-graduação em real estate e finanças.
Na diretoria financeira, Taimir Barbosa assumiu como CFO e diretora executiva operacional, também respondendo pela área de controladoria. Essas mudanças visam fortalecer a equipe de gestão e garantir a eficiência das operações da empresa.
Investigações em Andamento e Atenção do Mercado
A Gafisa (GFSA3) voltou a atrair a atenção do mercado financeiro no final de 2025, em decorrência de investigações em curso. Nelson Tanure foi acusado de suposto uso de informação privilegiada em operações ligadas à Gafisa, em um caso envolvendo a aquisição da incorporadora Upcon.
A denúncia, apresentada em dezembro, colocou em xeque negócios realizados entre 2019 e 2020, período em que Tanure era acionista relevante da construtora e ocupava uma cadeira no conselho de administração.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Tanure teria se valido de informações sigilosas para obter vantagem na operação. A Justiça Federal de São Paulo informou ao Seu Dinheiro que o processo corria em segredo de Justiça. A defesa do empresário afirmou que a denúncia segue o curso normal do processo judicial e que, por isso, “não seria objeto de debate fora do âmbito judicial”.
Os advogados também destacaram que Tanure “tem décadas de experiência profissional no mercado de valores mobiliário e jamais havia sido acusado de qualquer prática suspostamente delitiva no contexto das empresas em que é ou foi acionista”.
