Gestores veem otimismo cauteloso: o que esperar do Ibovespa em 2026?

Gestores veem otimismo cauteloso: o Brasil resiste à volatilidade? Saiba o que Sara Delfim e André Lion dizem sobre a Bolsa!

07/04/2026 15:47

3 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Perspectivas dos Gestores: Ações Brasileiras e o Cenário de Volatilidade

Gestores de fundos de ações expressam otimismo cauteloso, indicando que nem conflitos geopolíticos nem ciclos eleitorais devem desestabilizar o mercado acionário brasileiro. A volatilidade é esperada, mas a perda de atratividade para os ativos locais não é vista como um risco iminente.

Em um recente fórum, Sara Delfim, sócia da Dahlia Capital, apontou que o investidor nacional tende ao pessimismo excessivo com os ativos do país. Ela ressaltou que a busca por um momento perfeito para investir na Bolsa é um equívoco, pois há sempre espaço para exposição em ações, variando apenas o nível de alocação.

Resiliência Empresarial e Contexto Macroeconômico

Delfim defendeu que o Brasil mantém um bom patamar comparado a outros países. Mesmo com taxas de juros elevadas, as corporações têm demonstrado resiliência, conseguindo elevar seus lucros. Até mesmo a questão do endividamento público foi amenizada pela gestora.

Segundo ela, o endividamento governamental é um desafio global, e não um problema exclusivo brasileiro. Ela argumentou que, devido à exportação de petróleo, o país não está tão vulnerável aos impactos de conflitos internacionais.

Desempenho Histórico da Bolsa

O histórico do Ibovespa nos últimos anos é um indicador positivo. No acumulado dos últimos três anos (considerando 2023, 2024, 2025 e parte de 2026), a Bolsa superou o rendimento do CDI, o principal indicador de referência para investimentos no país.

Enquanto o CDI rendeu 48,4%, o Ibovespa alcançou 71,3%. Assim, a gestora reforçou que o mercado de ações possui oportunidades, exigindo, contudo, uma seleção criteriosa de ativos.

Fluxo de Investimentos Estrangeiros e Geopolítica

No início deste ano, o Ibovespa teve um forte impulso vindo de investidores estrangeiros, atingindo um recorde acima dos 200 mil pontos. Para os próximos meses, André Lion, da Ibiuna Investimentos, antecipa a manutenção desse fluxo internacional, mesmo que em menor intensidade.

Atualmente, o fluxo estrangeiro perdeu alguma força devido à aversão ao risco gerada pelo conflito no Oriente Médio. Contudo, Lion destaca que o investidor internacional não está atrelado às taxas de juros locais nem às preocupações com a dívida pública.

A Influência do Conflito no Oriente Médio

A principal variável de incerteza é a duração do conflito e a possibilidade de acordos de paz. André Caldas, da Springs Capital, considera as retóricas de lados opostos como mero ruído. Ele acredita que a disposição do Irã em negociar sugere que o conflito não se estenderá por mais de três meses.

A expectativa geral aponta para uma queda nas taxas de juros. No entanto, a clareza sobre o limite de atuação do Banco Central dependerá diretamente de uma resolução para a crise geopolítica.

Onde Concentrar os Investimentos em Meio à Incerteza

Apesar da resiliência das empresas, o ambiente permanece marcado pela incerteza e volatilidade, exigindo foco setorial. A energia se destaca como um setor de interesse geral entre os gestores.

André Lion observou o aumento significativo no preço do petróleo, passando de US$ 50 a US$ 60 no início do ano para patamares entre US$ 80 e US$ 90, o que impulsionou o aumento de investimentos no setor energético como um todo.

Oportunidades em Títulos e Ações

Caldas também aponta para os títulos públicos atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+ (NTN-Bs). Ele considera o prêmio desses títulos elevado devido aos juros e ao debate sobre as contas públicas. A expectativa de queda de juros e mudanças políticas nas eleições presidenciais favorece essas aplicações.

Rodrigo Santoro, da Bradesco Asset Management, recomenda manter posições em ações de empresas com balanços sólidos, que se beneficiarão de juros menores. Ele também aconselha manter uma parcela significativa em caixa, dada a volatilidade recente do mercado.

Autor(a):

Portal de notícias e informações atualizadas do Brasil e do mundo. Acompanhe as principais notícias em tempo real