Grupo Pão de Açúcar Enfrenta Incertidões Financeiras
A situação do Grupo Pão de Açúcar (GPA) continua sob escrutínio, com a consultoria Deloitte apontando para “incerteza relevante” sobre a continuidade das operações da empresa. A preocupação se intensifica diante de um déficit de capital circulante líquido de aproximadamente R$ 1,2 bilhão ao final de 2025, impulsionado por dívidas significativas, incluindo empréstimos e debêntures com vencimento em 2026 no valor de R$ 1,7 bilhão.
A empresa, que encerrou o ano com um prejuízo líquido de R$ 572 milhões no quarto trimestre (4T25), está buscando soluções. O GPA anunciou um plano que inclui negociações com credores para alongar prazos de pagamento, tentativas de reduzir o custo da dívida e cortes de despesas.
Além disso, a empresa busca transformar créditos tributários em dinheiro.
Alerta da Deloitte
No entanto, a Deloitte emite um alerta: até o momento, não há acordos formais para renegociar a dívida nem contratos fechados para vender os créditos fiscais. A efetividade do plano depende de fatores externos, o que limita o controle direto da empresa sobre a execução.
Resultados do 4T25
Apesar do prejuízo, houve uma melhora no quarto trimestre, com uma redução de quase 50% em relação ao ano anterior. Essa melhora não se deveu a um aumento nas vendas, mas sim a um efeito contábil relacionado à venda da participação na Financeira Itaú CBD.
A empresa reconheceu um crédito tributário que poderá ser utilizado para compensar perdas futuras.
Desempenho Financeiro
Considerando os negócios já encerrados, o prejuízo líquido no trimestre foi de R$ 523 milhões, 29% menor do que no ano anterior. A receita líquida, no entanto, diminuiu 2% em comparação com o mesmo período de 2024, atingindo R$ 5,1 bilhões. No consolidado de 2025, a receita apresentou uma leve expansão de 1,7%, alcançando R$ 19,1 bilhões.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado consolidado atingiu R$ 510 milhões no trimestre, com uma margem de 10%, um avanço de 0,4 ponto porcentual (p.p). No ano como um todo, o Ebitda ajustado consolidado cresceu 5,2%, atingindo R$ 1,7 bilhão, com uma margem de 9,2%.
