Guerra no Oriente Médio força BC a cautela e afeta cortes da Selic? Entenda!

Guerra no Oriente Médio preocupa o BC! Gabriel Galípolo explica por que a cautela na Selic é crucial e o que o mercado deve esperar para 2026.

06/04/2026 17:37

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(Imagem de reprodução da internet).

Guerra no Oriente Médio e Cautela do Banco Central

A situação no Oriente Médio continua sendo um fator que o Banco Central não pode ignorar. Isso justifica a postura mais cautelosa da autoridade monetária ao definir a política monetária e ao planejar o corte da taxa Selic, conforme apontou o presidente do BC, Gabriel Galípolo.

Segundo Galípolo, o mercado ainda está tentando entender vários cenários possíveis, desde um conflito de curta duração até uma escalada mais séria, com consequências diretas para a infraestrutura do Irã. Este segundo cenário poderia atrasar a normalização do fornecimento global de petróleo, pressionando os preços, a atividade econômica e o crescimento mundial.

Falta de Visibilidade Impacta as Decisões Econômicas

O principal desafio, segundo o presidente, é a falta de clareza. Com poucas informações concretas sobre o desenrolar da guerra, torna-se muito difícil “precificar o futuro”, afirmou Galípolo nesta segunda-feira (6), durante um evento realizado pela FGV/Ibre, no Rio de Janeiro.

Diante desse cenário incerto, a orientação do Banco Central é clara: proceder com muita calma. “A cautela, para o Banco Central, significa ganhar tempo para entender melhor o problema e tomar decisões mais seguras”, explicou ele.

Impactos da Incerteza na Inflação e Projeções

Mesmo que a resolução do conflito permaneça incerta, seus efeitos já estão sendo notados nas projeções do mercado. A expectativa de inflação para 2026 aumentou pela quarta semana consecutiva, passando de 4,31% para 4,36%, segundo dados recentes.

As estimativas também foram ajustadas para 2027 e 2028, indicando que o mercado percebe pressões de preços mais duradouras. Isso, na prática, diminui o espaço para cortes mais agressivos na Selic, um pouco menos do que o mercado esperava.

Custo de Vida Versus Indicadores Técnicos

A inflação voltou ao centro das discussões econômicas, mas agora com uma dimensão mais ampla, que vai além dos indicadores técnicos e toca diretamente na percepção da população sobre o custo de vida. Para Galípolo, a sociedade passou a se preocupar menos com a variação mensal e mais com o patamar acumulado de preços.

Enquanto a inflação mede a rapidez com que os preços sobem, o nível de preços reflete o patamar já atingido após vários choques. Assim, mesmo com a desaceleração da inflação, o custo de vida no Brasil segue alto, pois os ganhos salariais não acompanharam os aumentos acumulados.

Desafios Globais e Limites da Política Monetária

Por trás desse quadro, há uma sucessão de choques globais recentes, incluindo a pandemia, rupturas nas cadeias produtivas, crises energéticas e conflitos geopolíticos. “Estamos falando de quatro choques de oferta em seis anos. Estamos todos um pouco cansados de participar de eventos históricos”, comentou Galípolo, em tom irônico.

Diferentemente dos choques de demanda — que podem ser combatidos com mais facilidade através dos juros —, os choques de oferta afetam diretamente os custos e a capacidade produtiva, limitando a resposta do Banco Central.

A Perda do “Look Through” e a Credibilidade

Ao discutir a atuação dos bancos centrais, Galípolo ressaltou que há hoje uma maior cautela na condução da política monetária. Conceitos como o “look through”, que sugere ignorar choques temporários de oferta, perderam força.

A avaliação é que o custo de subestimar a persistência da inflação aumentou muito, especialmente pelo impacto sobre as expectativas. O presidente do BC reforçou que as ferramentas tradicionais atuam principalmente na demanda, o que restringe sua eficácia diante de choques de oferta.

Conclusão: O Dilema Constante da Autoridade Monetária

Galípolo resumiu o dilema da autoridade monetária: independentemente do cenário econômico, as críticas são inevitáveis. “Se a economia vai melhor, é porque você fez pouco. Se vai pior, é porque você está atrasado”, declarou, resumindo a pressão constante sobre o órgão.

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