O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nomeação de Guilherme Mello, atualmente Secretário de Política Econômica, para uma das vagas na diretoria do Banco Central (BC). A formalização da escolha, caso ocorra no Planalto, ainda depende da aprovação do Senado, onde o economista será submetido a uma análise detalhada.
A indicação, no entanto, gerou reações e incertezas no mercado financeiro.
Perfil e Experiência de Guilherme Mello
Guilherme Mello, de 42 anos, teve um papel importante na elaboração do plano de governo do presidente Lula em 2022, trabalhando em conjunto com a Fundação Perseu Abramo. O plano, na época, criticava os aumentos de juros implementados pelo Banco Central.
O economista possui formação avançada, com mestrado em Economia Política pela PUC-SP e doutorado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atualmente, leciona e coordena o programa de pós-graduação em Desenvolvimento Econômico na Unicamp.
Linhas de Estudo e Publicações
Segundo seu perfil no Lattes, Mello se dedica a temas como economia monetária, políticas monetárias não convencionais, estratégias de desenvolvimento nacional, economia do setor público e desigualdade social. Ele também é autor de teses relevantes, incluindo “A pós-grande indústria capitalista e a questão do valor: uma abordagem marxista” e “Os derivativos e a crise do subprime: o capitalismo em sua quarta dimensão”, fruto de seus estudos de mestrado e doutorado.
Reação do Mercado Financeiro
A possível nomeação de Mello ao Banco Central provocou movimentação significativa nos juros futuros nesta segunda-feira (2). As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimentos mais longos, que servem como indicador da confiança dos investidores, registraram alta.
Essa alta reflete o aumento dos riscos percebidos pelo mercado para empréstimos de longo prazo. Em horários específicos, o DI para janeiro de 2027 atingia 13,47%, enquanto os contratos para 2028 e 2029 subiam para 12,755% e 12,805%, respectivamente.
Em vencimentos mais distantes, como janeiro de 2031, a taxa saltou para 13,20%. Esse movimento, conhecido como “bear steepening”, indica uma expectativa de maior incerteza ou necessidade de juros mais altos no longo prazo.
