Haddad Critica Debate Fiscal e Defende Análise Profunda
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, intensificou sua crítica ao debate público sobre política fiscal no Brasil. Em declarações proferidas no painel Cenário Econômico 2026, realizado na CEO Conference Brasil 2026, promovido pelo BTG Pactual em São Paulo, Haddad argumentou que a discussão sobre o tema havia perdido qualidade técnica, apesar de ser uma pauta diária no noticiário.
Segundo o ministro, a constante cobertura do assunto, frequentemente dominada por desinformação, gerava ruído, manipulava as expectativas e impactava negativamente a percepção do mercado em relação às contas públicas. Haddad enfatizou a necessidade de uma análise mais aprofundada, que considerasse tanto a regra quanto os efeitos das medidas extraordinárias.
Críticas à Gestão Anterior e Reforma Tributária
Durante o painel, Haddad voltou a criticar a forma como as contas públicas chegaram ao início da gestão Lula 3, mencionando exemplos como a chamada “PEC do Calote” e o não pagamento de precatórios. Ele ressaltou que parte da pressão fiscal atual decorre de decisões tomadas na gestão anterior.
O ministro destacou a reforma tributária sobre o consumo como o avanço mais relevante da gestão. Em 2026, iniciará a fase de testes do novo sistema, com uma transição prevista até 2033. A reforma foi resultado de uma construção conjunta entre o Congresso Nacional e a equipe econômica, com um impacto tanto no âmbito político quanto no mercado.
Análise da Dívida Pública
Haddad também enfatizou a complexidade da análise da dívida pública, afirmando que não se trata de uma questão simples. Ele apontou que a trajetória do endividamento é influenciada por fatores como juros, crescimento econômico e a composição dos títulos da dívida, além das expectativas do mercado.
Dados do Relatório Mensal da Dívida do Tesouro indicaram um crescimento de 18% no estoque da Dívida Pública Federal (DPF) em 2025, atingindo R$ 8.635,09 trilhões em dezembro. Esse foi o maior avanço desde 2015.
